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Internacional/África: M23 abandona negociações de paz na RD Congo, exigindo respeito ao cessar-fogo previamente acordado

Escalada de conflitos no leste do país evidencia fragilidade dos acordos de paz e coloca em risco milhares de civis

O principal grupo rebelde no leste da República Democrática do Congo (RD Congo), o M23, anunciou que não regressará às negociações de paz com o governo, a menos que as autoridades cumpram os termos do cessar-fogo previamente estabelecido.

Os confrontos entre o M23 e o governo congolês aumentaram em janeiro, quando os rebeldes tomaram grandes áreas do leste rico em minerais, incluindo a capital regional, Goma.

No mês passado, no Catar, rebeldes e governo assinaram um acordo de cessar-fogo, considerado um passo inicial rumo a um acordo de paz permanente. No entanto, segunda-feira, quando as negociações deveriam retomar, o M23 anunciou que seus representantes não estariam presentes no Catar.

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O porta-voz do M23, Lawrence Kanyuka, disse à BBC que o governo congolês “não quer paz“, acusando as autoridades de não respeitarem as disposições do cessar-fogo, apesar de as Forças Armadas da RD Congo negarem tais acusações.

Segundo Kanyuka, as forças do governo continuaram a atacar posições rebeldes, violando o acordo que estipulava a suspensão de hostilidades por ambas as partes. Por outro lado, os militares congoleses afirmam que o M23 lança ataques quase diariamente nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

O acordo de paz no Catar deveria ser assinado na segunda-feira, após um rascunho ter sido compartilhado com o governo e com o M23. Este acordo acompanha outro firmado entre RD Congo e Ruanda, mediado pelos Estados Unidos em junho.

Apesar de participar das negociações em Washington, Ruanda nega qualquer apoio ao M23, embora RD Congo, a ONU e várias potências ocidentais tenham acusado o país de sustentar o grupo rebelde.

O acordo de Washington, celebrado pelo ex-presidente Donald Trump como um “triunfo glorioso“, poderia abrir acesso dos EUA à vasta riqueza mineral da RD Congo. No entanto, ele é apenas o mais recente de uma série de acordos de paz fracassados na região.

Durante o conflito em curso, milhares de pessoas foram mortas e centenas de milhares de civis forçados a deixar suas casas, de acordo com a ONU.

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