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Epidemia de Ebola agrava-se na RDC e OMS alerta para número real de casos muito superior ao oficial

Falta de equipamentos, hospitais sob pressão, profissionais sem salários e risco de propagação para países vizinhos colocam a República Democrática do Congo perante uma das mais graves crises sanitárias dos últimos anos.

A cidade de Bunia, capital da província de Ituri, tornou-se um dos principais epicentros da epidemia.

Em muitos centros de saúde, os profissionais trabalham praticamente sem protecção adequada. Em algumas unidades, os únicos equipamentos disponíveis são luvas descartáveis, obrigando médicos e enfermeiros a tratar pacientes suspeitos de Ebola em condições de elevado risco.

A escassez de material tem alimentado o receio entre os profissionais de saúde, que continuam na linha da frente apesar da crescente exposição ao vírus.

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A OMS considera que a dimensão da epidemia está longe de ser totalmente conhecida.

Segundo a organização, muitos casos continuam por identificar, sobretudo em comunidades isoladas, dificultando o rastreio de contactos e permitindo que pessoas infectadas continuem a transmitir o vírus sem qualquer acompanhamento médico.

Especialistas alertam que apenas uma pequena parte das novas infecções corresponde a contactos previamente identificados, sinal de que a transmissão comunitária permanece activa.

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas, ambulância e texto

Até meados de julho, as autoridades congolesas tinham confirmado cerca de 1.830 infecções e 648 mortes, sendo mais de 90% dos casos concentrados em Ituri.

Entretanto, o Governo reconheceu que a doença já atingiu outras províncias, aumentando o receio de uma propagação nacional.

Modelos epidemiológicos indicam que, sem uma resposta mais eficaz, o actual surto poderá tornar-se um dos mais graves registados na história recente da República Democrática do Congo.

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O combate à epidemia enfrenta desafios muito além da dimensão sanitária.

Grande parte das zonas afectadas situa-se em regiões de difícil acesso, cobertas por florestas densas e marcadas pela presença de numerosos grupos armados.

Milhares de pessoas vivem em campos de deslocados internos depois de anos de violência, enquanto outras circulam diariamente entre aldeias e minas artesanais de ouro, tornando extremamente difícil localizar contactos e interromper as cadeias de transmissão.

Photos: Displaced people learn DIY skills in DR Congo camp | Conflict News  | Al Jazeera

A ausência de uma vacina eficaz contra a variante Ebola Bundibugyo, responsável pelo actual surto, torna ainda mais importante a rápida identificação dos casos, o isolamento dos doentes e o acompanhamento das pessoas expostas.

No entanto, muitas destas medidas continuam limitadas pela falta de recursos humanos, equipamentos e infra-estruturas de saúde.

Em várias localidades, centros médicos foram obrigados a encerrar temporariamente para desinfecção após o aparecimento de casos entre profissionais de saúde.

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Os próprios profissionais de saúde estão entre as principais vítimas da epidemia.

Segundo a OMS, dezenas de médicos e enfermeiros foram infectados desde o início do surto e 25 perderam a vida.

A situação é agravada pelo atraso no pagamento de salários e incentivos prometidos pelo Governo, levando equipas médicas de Bunia a avançarem recentemente com uma greve para exigir melhores condições de trabalho.

Apesar do regresso ao serviço, os profissionais deram um ultimato às autoridades para regularizar os pagamentos.

Faith, fear and trust: Inside DR Congo's fight against Ebola | UN News

Embora a comunidade internacional tenha prometido mais de 1,2 mil milhões de dólares para financiar o combate à epidemia, apenas uma pequena parte desses recursos chegou efectivamente ao terreno.

A insuficiência de financiamento operacional compromete a compra de equipamentos, o pagamento das equipas médicas e a expansão das operações de vigilância epidemiológica.

Organizações humanitárias alertam que existe uma diferença significativa entre os compromissos anunciados e os fundos efectivamente disponibilizados.

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O risco de propagação internacional também aumenta.

Especialistas consideram provável que o vírus atravesse a fronteira para o Sudão do Sul, país cujo sistema de saúde enfrenta igualmente enormes fragilidades.

Entretanto, um caso já confirmado chegou à província vizinha da Tshopo, depois de uma mulher infectada ter sido transportada para outra cidade antes da confirmação do diagnóstico.

As autoridades receiam que os rituais tradicionais de funeral continuem a favorecer novas cadeias de transmissão.

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto

Especialistas em saúde pública defendem que controlar a epidemia exigirá muito mais do que recursos financeiros.

Será necessário reforçar rapidamente os sistemas de vigilância, melhorar o acesso aos cuidados médicos nas zonas rurais, proteger os profissionais de saúde e recuperar a confiança das comunidades locais.

Enquanto isso não acontecer, a República Democrática do Congo continuará a enfrentar uma crise sanitária que ameaça transformar-se numa emergência regional, colocando milhões de pessoas sob risco num dos contextos humanitários mais complexos do continente africano.