No centro de saúde de Matola II, os profissionais descrevem um sistema sob forte pressão, com cerca de 400 pacientes por dia e um aumento significativo da carga de trabalho após as cheias.
O estabelecimento ainda tenta recuperar de cortes na assistência externa dos EUA, que resultaram na redução de programas comunitários e na perda de trabalhadores de saúde essenciais para vigilância epidemiológica e acompanhamento de doenças.
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Anuncie aqui!Segundo o diretor da unidade, Alarico Moisés Manjacaze, a situação tornou-se mais difícil com a combinação de menos recursos humanos e mais doentes a necessitar de cuidados urgentes.
A perda de dezenas de trabalhadores comunitários ao longo do último ano reduziu drasticamente a capacidade de resposta local, especialmente em programas de prevenção de doenças infecciosas.
As inundações recorrentes na região agravaram ainda mais a crise, criando condições ideais para a propagação de doenças como malária e possíveis surtos de doenças transmitidas pela água, enquanto a infraestrutura local permanece vulnerável.
Além disso, a instabilidade climática junta-se a um contexto sanitário já fragilizado por elevadas taxas de HIV e malária endémica, pressionando continuamente o sistema de saúde.
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Anuncie aqui!A nível nacional, Moçambique tornou-se um dos principais exemplos de uma mudança na política de ajuda dos Estados Unidos, que reduziram programas tradicionais de financiamento internacional e passaram a privilegiar acordos bilaterais mais condicionados.
Este novo modelo exige maior investimento interno dos países beneficiários, ao mesmo tempo que reduz o papel de organizações multilaterais e de apoio contínuo direto.

O novo acordo entre Moçambique e os EUA, avaliado em cerca de 1,8 mil milhões de dólares, substitui apoios anteriores mais elevados e impõe metas de aumento do financiamento doméstico para setores críticos como o combate ao HIV e à malária.
Contudo, especialistas alertam que a transição pode criar lacunas financeiras significativas, especialmente num país com elevada dependência de ajuda externa e dívida pública elevada.
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Anuncie aqui!Organizações da sociedade civil e analistas afirmam que a implementação rápida destes novos modelos pode ultrapassar a capacidade administrativa do país, levando a riscos de interrupção de serviços essenciais.
Ao nível das clínicas, os efeitos ainda não são totalmente visíveis, mas profissionais de saúde relatam já sentir os impactos da redução de recursos humanos e da pressão crescente sobre o sistema.

Apesar das dificuldades, autoridades locais defendem que este modelo pode, a longo prazo, reforçar a autonomia do sistema de saúde moçambicano, embora reconheçam a necessidade de preparação para o período pós-financiamento previsto para além de 2030.
No terreno, no entanto, a realidade continua marcada por incerteza, escassez de recursos e comunidades a tentar sobreviver entre desastres climáticos e fragilidades estruturais.




