Durante muitos anos, a saúde mental foi frequentemente associada apenas à ausência de ansiedade, depressão ou outras perturbações psicológicas. No entanto, os investigadores defendem que esta visão é demasiado limitada para explicar o verdadeiro bem-estar das pessoas.
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Para responder a essa questão, uma equipa de investigadores australianos reuniu 122 especialistas provenientes de 11 áreas, incluindo psicologia, sociologia, filosofia, saúde pública e economia.
O trabalho utilizou o conhecido método Delphi, um processo científico baseado em várias rondas de consulta entre especialistas para alcançar consenso sobre temas complexos.
Ao longo do estudo, os participantes analisaram 26 critérios relacionados com o bem-estar psicológico antes de identificarem os elementos considerados mais relevantes.
No total, 19 dimensões alcançaram um consenso superior a 75%, permitindo aos investigadores criar uma primeira classificação daquilo que definem como saúde mental positiva.
Entre todas as dimensões avaliadas, seis destacaram-se por reunirem mais de 90% de concordância entre os especialistas envolvidos na investigação.
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Esses seis pilares são o sentido e propósito de vida, a satisfação com a vida, a auto-aceitação, os laços sociais, a autonomia e a felicidade.
Segundo os autores, estes factores reflectem muito mais a forma como cada pessoa vive a sua vida, constrói relações e enfrenta os desafios do quotidiano do que simplesmente a ausência de dificuldades emocionais.
Uma das principais conclusões do estudo é que a existência de um transtorno psicológico não impede necessariamente uma pessoa de manter um bom nível de bem-estar mental.
Os investigadores explicam que indivíduos com ansiedade, perturbação bipolar ou esquizofrenia podem continuar a desenvolver relações saudáveis, encontrar propósito na vida e sentir realização pessoal.
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A qualidade das relações sociais, o sentimento de pertença e a capacidade de aceitar a própria realidade desempenham um papel determinante na preservação desse equilíbrio psicológico.
Esta conclusão reforça a necessidade de distinguir claramente a saúde mental positiva da presença ou ausência de uma doença mental.
Os especialistas defendem que esta distinção poderá contribuir para reduzir o estigma associado aos problemas de saúde mental e incentivar abordagens mais abrangentes de apoio psicológico.
Em vez de centrar todos os esforços apenas no tratamento das doenças, os sistemas de saúde poderão investir também no fortalecimento dos factores que promovem o bem-estar das pessoas.
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Os investigadores recordam que conceitos como bem-estar psicológico, florescimento humano e saúde mental positiva continuam a variar entre diferentes disciplinas científicas, dificultando a criação de estratégias comuns.
A definição agora apresentada procura estabelecer uma linguagem mais uniforme para apoiar futuras investigações, programas de prevenção e políticas públicas.
Os autores acreditam que esta nova classificação poderá servir de base para melhorar a avaliação das necessidades da população e orientar intervenções mais eficazes.
Ao mesmo tempo, defendem que promover o sentido de vida, fortalecer os laços sociais, incentivar a autonomia e desenvolver a auto-aceitação deve fazer parte das estratégias de promoção da saúde.
A investigação reforça igualmente a importância de combater o preconceito em torno das doenças psicológicas, mostrando que um diagnóstico não define, por si só, a qualidade de vida de uma pessoa.
Mais do que eliminar todas as dificuldades emocionais, uma boa saúde mental passa por criar condições para que cada indivíduo consiga viver com equilíbrio, propósito e relações saudáveis ao longo da vida.






