Enquanto o mundo assinala o Dia Mundial do Paludismo, cientistas em África, com destaque para Moçambique, exploram novas soluções para reduzir a propagação de uma das doenças mais mortais do continente. Apesar dos avanços registados nas últimas décadas, o paludismo continua a ser um grave problema de saúde pública, especialmente em regiões com sistemas de saúde mais frágeis.
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Anuncie aqui!Segundo o Relatório 2025 sobre o progresso no combate ao paludismo em África, o ritmo de redução da doença abrandou significativamente desde 2015. Em países como Moçambique, onde a doença é endémica, os desafios mantêm-se elevados, dificultando o cumprimento do objetivo da União Africana de eliminar o paludismo até 2030.
O aumento do défice de financiamento global, aliado à resistência aos inseticidas, às alterações climáticas e à fragilidade dos sistemas de saúde, levanta preocupações sobre uma possível nova subida de casos. Estes fatores afetam diretamente países da África Austral, incluindo Moçambique, onde milhões de pessoas continuam expostas ao risco.
Perante este cenário, investigadores estudam abordagens inovadoras como a tecnologia de impulso genético, que visa modificar populações de mosquitos responsáveis pela transmissão do paludismo. Esta tecnologia poderá complementar medidas já existentes, como mosquiteiros, medicamentos e vacinas.
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Anuncie aqui!Entre mais de 3.500 espécies de mosquitos, apenas algumas transmitem a doença. Em África, espécies como Anopheles gambiae, Anopheles funestus e outras estão entre as principais responsáveis pela transmissão, incluindo em Moçambique, onde o controlo destes vetores é essencial.
O desenvolvimento de mosquitos geneticamente modificados é um processo complexo, realizado em laboratórios altamente controlados. Cientistas introduzem alterações genéticas em embriões de mosquitos com técnicas extremamente precisas, permitindo estudar a transmissão dessas características ao longo de várias gerações.
Após a criação dessas colónias, os investigadores realizam testes rigorosos para avaliar a segurança e eficácia da modificação. São analisados fatores como o comportamento dos mosquitos, a sua longevidade, capacidade de transmissão da doença e resistência a inseticidas.
Apesar do potencial, esta tecnologia ainda está em fase experimental e não existe aplicação em campo em países como Moçambique. Qualquer utilização futura dependerá de avaliações rigorosas, aprovação regulatória e aceitação das comunidades locais.
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Anuncie aqui!Paralelamente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou avanços importantes, incluindo a pré-qualificação de um novo tratamento contra o paludismo adaptado a recém-nascidos e bebés. Este medicamento, baseado na combinação arteméter-lumefantrina, representa um progresso significativo na redução da mortalidade infantil.
Até agora, os bebés eram tratados com medicamentos destinados a crianças mais velhas, aumentando o risco de erros de dosagem. A nova formulação permitirá melhorar o acesso a tratamentos seguros, especialmente em países com elevada incidência da doença como Moçambique.
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Anuncie aqui!A OMS também aprovou novos testes rápidos de diagnóstico capazes de detetar variantes do parasita que escapavam aos testes tradicionais. Estes avanços são particularmente relevantes em regiões africanas onde muitos casos não eram diagnosticados corretamente, atrasando o tratamento.
Dados recentes indicam que o mundo registou cerca de 282 milhões de casos de paludismo e 610 mil mortes em 2024. Em Moçambique, a doença continua entre as principais causas de hospitalização e mortalidade, especialmente entre crianças.
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Anuncie aqui!Apesar dos desafios, progressos significativos foram alcançados desde 2000, com milhões de vidas salvas graças à distribuição de mosquiteiros, campanhas de vacinação e melhoria no acesso a tratamentos. No entanto, especialistas alertam que manter o investimento e a inovação é essencial para evitar retrocessos.
Para especialistas, o combate ao paludismo exige uma abordagem integrada que combine inovação científica, financiamento sustentável e envolvimento comunitário. Em países como Moçambique, essa estratégia será crucial para reduzir o impacto da doença e avançar rumo à sua eliminação.









