A Fórmula 1 deparou-se com um dilema clássico, embora típico de um desporto de luxo, após um fim de semana repleto de sol, champanhe e carros velozes a andarem mais devagar que o habitual: como transformar o Grande Prémio do Mónaco numa verdadeira corrida?
A tradicional prova de domingo, pelas ruas de Monte Carlo, ofereceu 78 voltas sem uma única ultrapassagem, com os pilotos a adotarem estratégias táticas, sobretudo devido à novidade de uma segunda paragem obrigatória nas boxes, numa tentativa de garantir pontos.
O traçado monegasco sempre foi avesso a ultrapassagens, com uma configuração estreita e sinuosa que, além de anacrónica, oferece poucas ou nenhumas oportunidades de manobra para os atuais monolugares, cada vez maiores e mais pesados. Trata-se, de facto, do circuito mais lento do calendário, que em 2024 conta com 24 corridas.
Ainda assim, surgiram várias sugestões para animar a prova sem a tornar excessivamente artificial.
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Anuncie aqui!As propostas variaram entre aceitar Mónaco como é e apreciar simplesmente o seu ambiente único, até ideias mais ousadas como remodelar o circuito ou alterar os carros para melhor se adaptarem ao traçado.
“Precisamos realmente de refletir sobre uma solução para o que acontece aqui em Mónaco”, comentou George Russell, piloto da Mercedes, após uma tarde frustrante em que seguiu de perto Alex Albon (Williams) e Carlos Sainz (Ferrari) sem conseguir ultrapassá-los.
Russell reconheceu a tentativa de dinamizar a corrida com a introdução da obrigatoriedade de duas paragens, mas admitiu que “claramente, não funcionou”.
Entre as alternativas, Russell propôs uma ideia que certamente chocaria os puristas: realizar duas sessões de qualificação, uma no sábado e outra no domingo, com pontos atribuídos em ambas.
“Acho que é isso que vocês (jornalistas e fãs) mais gostam de ver”, disse. “E 99% das pessoas que estão aqui em Mónaco estão a beber champanhe nos iates, portanto não se importam muito.”
Christian Horner, chefe de equipa da Red Bull, apontou as mudanças na zona do porto como oportunidade para ajustar o circuito.
“Tudo precisa de evoluir com o tempo”, afirmou. “Mónaco é um circuito icónico e histórico, mas se olharmos para as alterações feitas ao longo dos anos e a terra conquistada ao mar, talvez bastasse uma zona nova onde fosse possível ultrapassar.”
Já Toto Wolff, diretor da Mercedes, sugeriu que a solução pudesse passar por ajustes no regulamento, em vez de exigir alterações ao circuito.
“Isto é um espetáculo extraordinário. As bancadas estavam cheias, havia espetadores por todo o lado – nas varandas, nos barcos… foi um evento completo”, comentou.
“Sábado é o dia em que o desporto realmente ganha vida. No domingo tentámos algo diferente, não funcionou. Talvez, para o próximo ano, seja necessário estabelecer um tempo de volta máximo, para evitar que os pilotos andem devagar de propósito.”
Wolff concluiu que há margem para melhorar as corridas de domingo sem sacrificar o prestígio de Mónaco.
“Pelo bem do desporto, podemos fazer melhor e encontrar uma solução.”




