O representante israelita deste ano é o cantor Noam Bettan, que irá interpretar a canção pop intitulada “Michelle”. No entanto, a sua participação tem gerado forte contestação internacional, com vários países a anunciarem boicotes ao evento devido ao contexto da guerra em Gaza.
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Anuncie aqui!Cinco países — Irlanda, Países Baixos, Eslovénia, Espanha e Islândia — decidiram não participar ou boicotar a edição deste ano. As emissoras públicas destes países justificaram a decisão com a ofensiva militar de Israel em Gaza, que segundo autoridades locais já provocou dezenas de milhares de mortos e uma grave crise humanitária.
Além dos boicotes oficiais, mais de 1.000 músicos e profissionais da cultura assinaram uma carta aberta a pedir a exclusão de Israel do concurso. Os signatários acusam a organização de manter um “duplo padrão”, lembrando que a Rússia foi excluída do evento após a invasão da Ucrânia em 2022, enquanto Israel continua autorizado a participar.
As críticas não se limitam ao meio artístico. Organizações como a Amnistia Internacional também acusaram a EBU de incoerência, afirmando que a decisão de manter Israel no concurso contrasta com as sanções impostas a outros países em contextos de guerra. Segundo estas organizações, o Eurovision não deveria servir de plataforma para normalizar ações militares em territórios em conflito.
O debate reacendeu também questões sobre a natureza do próprio concurso. Apesar de ser conhecido como um evento musical “apolítico”, o Eurovision inclui países fora da Europa e já teve participações de nações como Austrália e Israel, que entrou pela primeira vez em 1973. O país também chegou a organizar o concurso em Telavive, em 2019.
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Anuncie aqui!A estrutura do evento permite que cada país apresente uma canção original com duração aproximada de três minutos, interpretada por até seis artistas em palco. Este ano, 35 países vão competir na edição que marca sete décadas de existência do festival.
A polémica intensificou-se ainda mais com a divulgação de uma carta assinada por artistas e figuras públicas que acusam a EBU de hipocrisia. Entre os signatários estão nomes como Roger Waters, Paloma Faith, Macklemore e antigos vencedores do concurso, que defendem que a exclusão da Rússia e a manutenção de Israel demonstram inconsistência nas regras do evento.
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Anuncie aqui!Em resposta, alguns países e apoiantes da participação israelita defendem que o Eurovision deve permanecer como um espaço cultural de união e não de exclusão política. A Alemanha, por exemplo, afirmou que não participaria caso Israel fosse excluído, defendendo a sua presença no concurso.
Apesar da controvérsia, a EBU decidiu manter a participação de Israel na edição de 2026, argumentando que o concurso deve continuar a ser um evento focado na música e na unidade entre países. A organização também reforçou que a neutralidade do evento é essencial, embora reconheça que o contexto político internacional influencia inevitavelmente o debate em torno do festival.
A tensão entre cultura e política deverá marcar esta edição histórica do Eurovision, que celebra 70 anos num ambiente de forte polarização internacional.





