Durante o discurso de investidura, Museveni apelou à população para um novo ciclo de trabalho e produtividade, afirmando que este deverá ser um período de “sem mais descanso para todos os ugandeses”. O Presidente sublinhou ainda a necessidade de criação de empregos e de aumento da riqueza nacional.
O líder ugandês venceu as eleições com mais de 70% dos votos, segundo os resultados oficiais, prolongando o seu mandato até 2031. No entanto, o principal candidato da oposição, o cantor e político Bobi Wine, rejeitou os resultados, denunciando alegadas irregularidades e acusando o processo de “fraude eleitoral”.
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Anuncie aqui!Bobi Wine, cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi Ssentamu, afirmou ainda ter deixado o país por receio de perseguição política, alegando que o regime pretendia eliminá-lo. A oposição também denunciou repressão após as eleições, incluindo detenções e ações das forças de segurança.
Museveni chegou ao poder em 1986 como líder rebelde e, desde então, venceu todas as eleições realizadas no país, tornando-se um dos líderes africanos mais antigos no poder. O governo declarou o dia da posse como feriado nacional, com milhares de apoiantes reunidos no local da cerimónia.
No seu discurso, o Presidente afirmou que os próximos anos deverão ser marcados pela exploração de receitas do petróleo para impulsionar a economia e reduzir a pobreza. Museveni defendeu a continuidade dos progressos alcançados nas últimas quatro décadas, destacando infraestruturas e estabilidade.
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Anuncie aqui!A cerimónia contou com a presença de vários líderes africanos, incluindo os presidentes da Tanzânia, República Democrática do Congo, Sudão do Sul e Somália, reforçando a dimensão diplomática do evento.
Apesar da narrativa oficial de estabilidade, organizações de direitos humanos continuam a criticar a situação política no país. A Amnistia Internacional afirmou recentemente que pelo menos 16 pessoas terão morrido durante a repressão pós-eleitoral em janeiro, acusando forças de segurança de uso excessivo da força.
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Anuncie aqui!A oposição também aponta para a situação do político Kizza Besigye, detido desde 2024 após alegações relacionadas com posse de armas, acusações que ele nega.
Outro ponto de preocupação prende-se com o papel crescente do filho do Presidente, o general Muhoozi Kainerugaba, frequentemente apontado como possível sucessor. O militar tem sido criticado por declarações controversas nas redes sociais contra figuras da oposição.
Enquanto isso, o governo continua a rejeitar as acusações de repressão, afirmando que as eleições foram livres e justas, e acusando a oposição de tentar desestabilizar o país.
Este novo mandato de Yoweri Museveni reforça assim a continuidade de um dos regimes mais duradouros do continente africano, num contexto marcado por tensões políticas, críticas internacionais e desafios internos de governação.






