A nova epidemia foi oficialmente declarada na sexta-feira pelo Africa CDC, agência sanitária da União Africana. Desde então, as autoridades de saúde internacionais intensificaram os alertas devido à rápida expansão dos casos e ao risco de transmissão transfronteiriça.
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Anuncie aqui!Os receios aumentaram após a confirmação de uma morte ligada ao vírus no Uganda e de um caso na cidade congolesa de Goma, um dos principais centros urbanos e comerciais do leste da RDC.
Especialistas afirmam que esta nova vaga é particularmente preocupante porque é provocada pela variante Bundibugyo do vírus Ebola, uma estirpe rara para a qual atualmente não existe vacina homologada nem tratamento específico aprovado.
Ao contrário da variante Zaire, responsável pelas grandes epidemias anteriores na RDC, a variante Bundibugyo continua menos conhecida e mais difícil de controlar. Os sintomas iniciais — febre, fadiga, dores musculares e dores de garganta — são semelhantes aos de várias doenças tropicais comuns, dificultando o diagnóstico precoce.
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Anuncie aqui!Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esta variante apresenta uma taxa de mortalidade considerada elevada, tendo atingido entre 30% e 50% em surtos anteriores registados no Uganda e na RDC.
As autoridades sanitárias receiam agora que a epidemia possa transformar-se rapidamente numa crise regional. Um homem de 59 anos contaminado em Ituri morreu em Kampala, capital do Uganda, após viajar desde a RDC. Pouco depois, um primeiro caso foi confirmado em Goma: uma mulher cujo marido havia morrido dias antes devido ao vírus.
Em resposta, o Ruanda decidiu limitar temporariamente parte do tráfego fronteiriço entre Goma e Gisenyi, afetando milhares de deslocações diárias e trocas comerciais entre os dois lados da fronteira.
Outros países da região, incluindo Quénia e Sudão do Sul, também reforçaram os sistemas de vigilância sanitária e controlo de passageiros.
O principal foco da epidemia localiza-se em Ituri, uma região mineira marcada por fortes movimentos populacionais ligados à exploração de ouro. Todos os dias, milhares de pessoas circulam entre zonas mineiras, fronteiras regionais e cidades vizinhas, aumentando significativamente o risco de propagação do vírus.
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Anuncie aqui!Além disso, a insegurança permanente no leste da RDC complica o trabalho das equipas médicas. Diversas áreas continuam sob influência de grupos armados, tornando difícil o acesso rápido aos doentes e às comunidades afetadas.
Apesar das dificuldades, as autoridades congolesas afirmam que a resposta sanitária começa a ser organizada. O ministro da Saúde da RDC, Roger Kamba, anunciou que centros de tratamento estão a ser montados em várias localidades estratégicas, incluindo Rwampara, Mongbwalu e Bunia.
Equipas médicas internacionais e organizações humanitárias acompanham a evolução da situação, enquanto a OMS ativou o seu segundo nível mais elevado de alerta sanitário para a região.
A RDC enfrenta atualmente a sua 17ª epidemia de Ebola desde a descoberta do vírus em 1976, no antigo Zaire. O país já viveu surtos devastadores, incluindo a epidemia de 2018-2020, que causou quase 2.300 mortes.
No entanto, esta nova crise desperta receios ainda maiores devido à combinação de vários fatores: ausência de vacina, propagação regional, insegurança armada e dificuldades no rastreio precoce dos casos.
A OMS teme que a verdadeira dimensão da epidemia ainda esteja subestimada, sobretudo em zonas rurais e de difícil acesso.








