A tensão diplomática aumentou depois de o Irão ter dirigido um aviso direto à França, rejeitando qualquer participação estrangeira na gestão ou desminagem do estreito de Ormuz. A reação surgiu após o Presidente francês, Emmanuel Macron, defender uma passagem marítima “livre e sem condições” durante a visita oficial do sultão de Omã, Haitham bin Tariq, a Paris.
Segundo as autoridades iranianas, apenas a República Islâmica possui legitimidade para controlar o estreito, considerando que qualquer iniciativa paralela poderá comprometer o protocolo de entendimento recentemente alcançado com os Estados Unidos e aumentar novamente a instabilidade na região.
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O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, reforçou que qualquer interferência internacional fora do acordo negociado entre Teerão e Washington poderá atrasar a reabertura completa de Ormuz. O governante afirmou que nenhuma organização internacional ou outro país possui autoridade para administrar aquele corredor estratégico.
Poucas horas depois, o vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, respondeu diretamente às declarações francesas, afirmando que as operações de desminagem competem exclusivamente ao Irão e apelando a Paris para que “não complique ainda mais a situação”.
O estreito de Ormuz continua a ser um dos pontos geopolíticos mais sensíveis do planeta. Antes do conflito iniciado em fevereiro, cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás transitava diariamente por esta estreita passagem marítima entre o Irão e Omã.
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Durante a guerra, o bloqueio parcial da navegação provocou perturbações significativas nos mercados internacionais de energia, levando ao aumento dos preços do petróleo e criando dificuldades para diversas economias dependentes das importações de combustíveis.
Apesar das divergências, Emmanuel Macron prosseguiu a sua agenda diplomática com o sultão de Omã, país que desempenha um papel essencial como mediador entre Irão e Estados Unidos. Durante o encontro foram assinados vários acordos bilaterais nas áreas económica, científica, industrial e cultural.
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O Presidente francês voltou igualmente a defender uma solução diplomática para estabilizar o Médio Oriente, considerando que a segurança marítima apenas poderá ser garantida através da cooperação internacional e do respeito pela liberdade de circulação comercial.
Entretanto, Irão e Estados Unidos anunciaram uma nova suspensão das recentes trocas de ataques, depois de vários dias marcados por acusações mútuas de violação do cessar-fogo. Os dois países poderão reunir-se já esta semana no Qatar, onde deverão discutir a implementação do memorando de entendimento assinado a 17 de junho.
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Entre os principais temas das negociações estará precisamente o futuro do estreito de Ormuz, cuja reabertura continua condicionada pelas exigências de Teerão, que pretende manter o controlo operacional da principal rota de navegação.
Enquanto decorrem as negociações sobre Ormuz, a instabilidade regional mantém-se elevada. No Líbano, Israel prosseguiu os ataques militares apesar do recente acordo-quadro destinado a alcançar uma paz duradoura, situação que continua a preocupar os mediadores internacionais.
A conjugação entre a crise marítima, as tensões no Líbano e as difíceis negociações entre Irão e Estados Unidos demonstra que, apesar do atual cessar das hostilidades, a estabilidade no Médio Oriente continua extremamente frágil e dependente do sucesso das próximas rondas diplomáticas.







