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Emirados Árabes Unidos aceleram estratégia para reduzir dependência do Estreito de Ormuz

Fujaírah ganha importância estratégica enquanto Abu Dhabi procura novas rotas comerciais e energéticas.

“O Estreito de Ormuz já não nos diz respeito, porque os Emirados Árabes Unidos decidiram virar as costas a esta passagem marítima e contorná-la definitivamente”, afirmou Abdulkhaleq Abdulla, professor de ciência política considerado próximo do Presidente emiradense Mohammed bin Zayed, conhecido como MBZ.

A declaração reflecte a crescente importância atribuída ao emirado de Fujaírah, localizado na costa leste do país, com acesso directo ao Golfo de Omã e ao alto-mar.

Ao contrário dos principais portos situados no interior do Golfo Arábico, esta localização permite reduzir a exposição ao Estreito de Ormuz, passagem estratégica entre o Irão e Omã.

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Os Emirados Árabes Unidos já tinham iniciado anteriormente medidas para diminuir a sua dependência desta rota marítima.

Em 2012, entrou em funcionamento o oleoduto Habshan-Fujaírah, permitindo transportar petróleo dos campos de Abu Dhabi directamente para a costa leste, evitando parte do percurso pelo Estreito de Ormuz.

A recente escalada militar envolvendo o Irão tornou estes projectos ainda mais prioritários para as autoridades emiradenses.

Segundo informações divulgadas por meios especializados, o país pretende acelerar a construção de um segundo oleoduto para aumentar a capacidade de exportação de petróleo através de Fujaírah.

O objectivo é garantir maior segurança às exportações energéticas mesmo em períodos de elevada tensão regional.

Diversifying Oman's Economy and Promoting Connectivity and Regional  Cooperation - AIIB Blog - AIIB

A principal componente desta estratégia passa por uma forte expansão das infraestruturas portuárias na costa leste dos Emirados Árabes Unidos.

Os projectos incluem os portos de Dibba, Fujaírah e Khor Fakkan, todos localizados junto ao Golfo de Omã, além da construção prevista de novas instalações portuárias.

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Esta transformação representa uma mudança profunda para um país cuja actividade económica esteve durante décadas concentrada em Abu Dhabi e Dubai.

O jornal britânico Financial Times descreveu esta evolução como uma mudança estrutural para os Emirados Árabes Unidos, devido ao novo peso estratégico atribuído a Fujaírah.

Jebel Ali Port (Dubai) -

Durante décadas, Dubai construiu a sua influência internacional através do porto de Jebel Ali, uma das maiores plataformas mundiais de transbordo e reexportação.

Gerido pela empresa DP World, o porto desempenhou um papel central na transformação de Dubai num centro logístico global, ligando mercados da Ásia, África e Médio Oriente.

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No entanto, a localização dentro do Golfo Arábico representa uma vulnerabilidade, uma vez que os navios precisam de atravessar o Estreito de Ormuz para alcançar as principais rotas internacionais.

As tensões recentes na região expuseram esta dependência e aceleraram a procura por alternativas.

Building a Logistics Hub - Construction Business News Middle East

Apesar da nova aposta em Fujaírah, especialistas consideram que Jebel Ali continuará a desempenhar um papel fundamental na economia emiradense.

O porto possui uma vasta zona franca, armazéns e complexos industriais construídos ao longo de várias décadas.

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A nova estratégia não pretende substituir completamente Dubai, mas criar uma rede complementar capaz de garantir maior flexibilidade logística e energética.

A mudança poderá, contudo, alterar a distribuição do desenvolvimento económico dentro dos Emirados Árabes Unidos, dando maior importância às regiões orientais do país.

Economy of the United Arab Emirates - Wikipedia

Para as autoridades dos Emirados Árabes Unidos, o desenvolvimento de Fujaírah responde a uma necessidade estratégica de segurança económica e energética.

A criação de novas rotas marítimas permitirá manter as exportações de petróleo e o comércio internacional mesmo perante futuras crises regionais.

Esta estratégia demonstra uma tendência crescente entre os países do Golfo, que procuram reforçar a autonomia das suas infraestruturas face aos riscos geopolíticos.

Com Fujaírah no centro desta transformação, os Emirados Árabes Unidos preparam uma nova fase da sua organização económica e marítima.