Os novos ataques lançados pelos Estados Unidos foram considerados os mais intensos desde o cessar-fogo alcançado em abril, colocando novamente em risco os esforços diplomáticos que procuravam consolidar o acordo de entendimento assinado entre os dois países a 17 de junho.
A operação militar foi acompanhada pela decisão de Washington de reforçar a pressão sobre o Governo iraniano, numa altura em que as negociações entre as duas partes permanecem fragilizadas.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
O vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, criticou duramente a decisão norte-americana, afirmando que os Estados Unidos estavam a destruir o processo diplomático iniciado nas últimas semanas.
Ao mesmo tempo, o Presidente norte-americano Donald Trump voltou a ameaçar Teerão, afirmando que a situação poderá agravar-se significativamente caso o Irão não aceite retomar as negociações.
Durante a noite e ao longo da terça-feira, as autoridades iranianas anunciaram ataques em várias zonas do país.
Entre os locais atingidos estiveram Bandar Abbas, a ilha de Qeshm, situada junto ao Estreito de Ormuz, e a cidade de Ahvaz, no sudoeste do Irão.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
Segundo as autoridades iranianas, esta foi a quarta noite consecutiva de operações militares norte-americanas desde a retoma do conflito iniciado a 28 de fevereiro, após ataques realizados por Israel e pelos Estados Unidos.
O Governo norte-americano já tinha informado oficialmente o Congresso sobre a continuidade das operações militares contra o Irão.
A intensificação dos confrontos tem provocado diferentes reações dentro do próprio Irão.
Em Teerão, alguns cidadãos afirmam compreender a necessidade de defesa nacional perante uma ofensiva estrangeira.
“Não é fácil ver o nosso país em guerra, mas acredito que qualquer país tem o direito natural de se defender quando a sua integridade territorial é atacada”, afirmou Hossein, um comerciante de 43 anos residente na capital iraniana.
Apesar dos ataques norte-americanos, o Irão continuou a responder militarmente contra posições ligadas aos Estados Unidos na região.
A agência oficial IRNA informou que instalações militares norte-americanas foram atingidas, incluindo uma base aérea na Jordânia utilizada por aviões de combate.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
A escalada também aumentou a pressão sobre outros países aliados dos Estados Unidos no Médio Oriente.
O Kuwait anunciou que sofreu novos ataques com drones depois de já ter registado ofensivas iranianas que provocaram ferimentos em militares durante a terça-feira.
No Bahrein, as autoridades confirmaram o acionamento dos sistemas de alerta aéreo perante possíveis ameaças.
A comunidade internacional acompanha com preocupação a evolução do conflito, devido aos riscos para a segurança regional e para a estabilidade económica mundial.
Os mercados energéticos voltaram a sentir o impacto da nova escalada militar.
O preço do petróleo Brent, referência internacional, registou uma forte subida devido ao aumento das preocupações sobre a segurança do fornecimento energético e a possibilidade de novas interrupções no comércio internacional.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
A instabilidade no Médio Oriente continua a representar um dos principais fatores de risco para os mercados, sobretudo devido à importância estratégica da região para a produção e transporte de energia.
A nova ofensiva norte-americana coloca novamente a relação entre Estados Unidos e Irão num momento crítico.
Enquanto Washington procura aumentar a pressão sobre o Governo iraniano, Teerão promete continuar a responder aos ataques considerados uma violação da sua soberania.
Com a diplomacia fragilizada e os confrontos militares em crescimento, a comunidade internacional teme que a atual escalada possa transformar-se num conflito de maiores dimensões.






