O líder norte-coreano Kim Jong-un declarou que o programa destinado a equipar a marinha com armamento nuclear continua a avançar conforme o planeado, numa demonstração clara de que Pyongyang pretende expandir a sua capacidade estratégica para além das forças terrestres.
As declarações foram feitas durante a cerimónia de entrada ao serviço do Choe Hyon, um dos novos navios de guerra de cinco mil toneladas lançados recentemente pela Coreia do Norte.
Segundo a agência estatal KCNA, Kim apresentou o projeto como uma prioridade estratégica para garantir que a capacidade nuclear do país esteja preparada para operar em diferentes cenários militares.
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A mensagem transmitida por Pyongyang sugere uma mudança significativa na doutrina militar norte-coreana.
Durante décadas, a marinha do país teve sobretudo uma função defensiva e limitada às águas próximas da península coreana.
Agora, a liderança norte-coreana pretende construir uma força naval capaz de transportar armamento estratégico e de projetar poder para além das suas fronteiras marítimas imediatas.
Segundo Kim Jong-un, a época em que a marinha servia apenas para proteger a costa nacional pertence ao passado.
O dirigente revelou ainda que, após a entrada em serviço do Choe Hyon e do futuro destróier Kang Kon, a Coreia do Norte iniciará a construção de navios estratégicos de 10 mil toneladas.
O plano prevê o lançamento regular de novas embarcações de grande porte, incluindo cruzadores capazes de transportar sistemas avançados de armamento.
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Esta evolução poderá permitir a integração de mísseis de longo alcance em plataformas marítimas, aumentando a capacidade de sobrevivência e resposta do arsenal nuclear norte-coreano.
Para muitos analistas, trata-se de uma tentativa de criar uma componente naval semelhante às utilizadas por outras potências nucleares
Kim Jong-un justificou o reforço militar afirmando que os programas de modernização das forças armadas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos estão a aumentar o risco de confronto na região.
Durante uma recente reunião do Partido dos Trabalhadores, o líder norte-coreano acusou Washington e Seul de conduzirem a península para uma situação próxima de uma crise nuclear.
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A retórica segue uma linha já conhecida da liderança norte-coreana, que apresenta o desenvolvimento militar como uma resposta às ameaças externas.
Ao mesmo tempo, estas declarações servem para justificar internamente os elevados investimentos realizados no setor da defesa.
Desde o fracasso das negociações entre Kim Jong-un e Donald Trump em 2019, a Coreia do Norte tem reforçado a sua posição de que o estatuto nuclear do país é irreversível.
As divergências sobre a desnuclearização e o levantamento das sanções internacionais levaram ao colapso do diálogo entre as duas partes.
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Desde então, Pyongyang acelerou os testes de mísseis, desenvolveu novos sistemas de lançamento e investiu na modernização das suas forças estratégicas.
A aposta na componente naval surge agora como mais um passo dessa estratégia.
O anúncio de Kim Jong-un poderá ter consequências para toda a região do nordeste asiático.
A expansão da capacidade naval nuclear norte-coreana deverá incentivar novos investimentos militares por parte da Coreia do Sul, do Japão e dos Estados Unidos, aumentando a competição estratégica numa das regiões mais militarizadas do mundo.
Mais do que uma simples modernização da frota, o projeto reflete a ambição de Pyongyang de consolidar o seu estatuto como potência nuclear e de reforçar a sua capacidade de negociação perante os adversários.
A longo prazo, esta evolução poderá tornar ainda mais complexa qualquer tentativa de reduzir as tensões na península coreana.






