A descoberta representa um marco para a astronomia moderna. Embora milhares de exoplanetas tenham sido identificadas nas últimas décadas, nunca tinha sido possível comprovar de forma inequívoca que uma planeta rochosa, semelhante à Terra, mantinha uma atmosfera capaz de resistir ao ambiente extremo do espaço.
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Segundo o estudo publicado na revista científica Science, esta é a primeira confirmação observacional de uma atmosfera numa exoplaneta rochosa localizada na zona habitável, onde as temperaturas podem permitir a existência de água em estado líquido.
A protagonista desta descoberta é a LHS 1140b, localizada a cerca de 49 anos-luz da Terra, na constelação da Baleia. Descoberta em 2017, a exoplaneta já era considerada um dos candidatos mais promissores para futuras investigações sobre habitabilidade.
Durante observações realizadas com o telescópio Clay, no Observatório de Las Campanas, no Chile, os investigadores detectaram um sinal muito específico de hélio excitado enquanto a planeta passava em frente da sua estrela.
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A análise revelou que esse hélio estava a escapar da atmosfera, constituindo a evidência mais convincente de que a LHS 1140b possui uma atmosfera activa e estável.
Até agora, as atmosferas detectadas pertenciam quase exclusivamente a gigantes gasosos, semelhantes a Júpiter ou Saturno, que dificilmente poderiam albergar vida tal como a conhecemos.
A confirmação numa planeta rochosa representa um avanço significativo porque este tipo de corpos celestes apresenta características muito mais próximas da Terra.
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Anuncie aqui!Os cientistas consideram que três elementos são fundamentais para aumentar as probabilidades de existência de vida: uma superfície sólida, temperaturas compatíveis com água líquida e uma atmosfera capaz de proteger o planeta das radiações espaciais e regular o clima.
Embora a LHS 1140b seja frequentemente descrita como uma “prima” da Terra, apresenta diferenças importantes. É maior e mais massiva do que o nosso planeta, completa uma órbita em menos de 25 dias e mantém sempre a mesma face voltada para a sua estrela, fenómeno conhecido como rotação sincronizada.
Ainda assim, os investigadores acreditam que estas características não excluem a possibilidade de existirem condições favoráveis à habitabilidade.
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Estudos anteriores demonstraram, por exemplo, que alguns organismos terrestres conseguem sobreviver em atmosferas ricas em hélio, abrindo novas perspectivas sobre os diferentes ambientes onde a vida poderá desenvolver-se.
A descoberta reforça igualmente o optimismo da comunidade científica relativamente ao futuro da exploração espacial.
Com telescópios cada vez mais sensíveis e novas missões previstas para os próximos anos, os astrónomos esperam identificar outras exoplanetas com atmosferas semelhantes, permitindo estudar a sua composição química com muito maior precisão.
Mais do que confirmar a existência de uma atmosfera, a observação da LHS 1140b representa um passo decisivo na tentativa de responder a uma das maiores questões da ciência: estaremos realmente sozinhos no Universo?







