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Pékin bloqueia aquisição da Manus pela Meta e endurece fronteiras da guerra tecnológica com Washington

Decisão chinesa sobre start-up de inteligência artificial baseada em Singapura reforça separação crescente entre os ecossistemas tecnológicos dos EUA e da China

O governo da China bloqueou a aquisição da start-up de inteligência artificial Manus pela empresa norte-americana Meta, numa decisão que aprofunda a rivalidade tecnológica entre Pequim e Washington. A empresa, especializada em agentes de IA autónomos e considerada uma das mais promissoras do setor, está atualmente sediada em Singapura, após ter sido fundada na China.

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A decisão foi confirmada pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, que justificou a medida com base na proteção da segurança nacional e no controlo de tecnologias estratégicas. A operação já tinha gerado tensões entre as autoridades chinesas e os fundadores da empresa, incluindo restrições de viagem e um escrutínio regulatório intenso, evidenciando o grau de sensibilidade do setor de inteligência artificial.

A Meta tinha anunciado no final de 2025 um acordo para adquirir a Manus, inserida na nova vaga de sistemas de IA autónoma, considerada uma das maiores transformações tecnológicas da atualidade. A empresa norte-americana reagiu afirmando que a transação estava em conformidade com a legislação e manifestou expectativa de uma resolução futura, apesar do bloqueio imposto por Pequim.

Meta Manus Deal Reshapes AI Strategy - AI CERTs News

O caso expõe também a crescente prática conhecida como “Singapura washing”, na qual empresas chinesas transferem a sua sede para Singapura para facilitar o acesso a investimento estrangeiro, sobretudo da Silicon Valley. Esta estratégia tem permitido alguma flexibilidade, mas está agora sob maior pressão regulatória, à medida que a China endurece o controlo sobre ativos tecnológicos considerados sensíveis.

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A start-up Butterfly Effect, responsável pela Manus, já tinha iniciado o deslocamento de talentos para fora da China, incluindo o encerramento progressivo de operações locais e a reestruturação das equipas de investigação. Esta reorganização reflete a crescente fragmentação dos ecossistemas tecnológicos entre Oriente e Ocidente.

China-US divide extends to AI, both in research and real life, study finds | South China Morning Post

Analistas consideram que esta decisão representa mais um passo na separação estrutural dos ecossistemas tecnológicos dos dois países. Até recentemente, empresas conseguiam navegar entre mercados e jurisdições diferentes, mas o espaço para essa flexibilidade está a diminuir rapidamente, especialmente em áreas consideradas estratégicas como a inteligência artificial.

As autoridades chinesas têm reforçado um conjunto de leis e regulamentos que exigem aprovação estatal para investimentos estrangeiros em setores críticos. Medidas semelhantes já afetaram outras empresas tecnológicas, incluindo operações relacionadas com a TikTok, que também estiveram sujeitas a escrutínio político e regulatório entre Pequim e Washington.

AI Infrastructure Demand Tightens Global Chip Supply - AI CERTs News

A decisão surge num contexto em que a China procura proteger tecnologias consideradas estratégicas, incluindo a IA, os semicondutores e os sistemas de dados. Para Pequim, estas áreas são fundamentais para garantir autonomia tecnológica e competitividade global, num cenário de crescente rivalidade com os Estados Unidos.

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Segundo especialistas, o bloqueio envia um sinal claro de dissuasão, indicando que o país não permitirá a transferência de tecnologias críticas sem controlo estatal rigoroso. Esta postura poderá, no entanto, dificultar a expansão internacional de empresas chinesas e limitar o acesso a capital estrangeiro.

Long-standing US–China rivalry continues in tech

A decisão acontece poucas semanas antes de um possível encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, num momento em que a rivalidade tecnológica deverá estar no centro das negociações. A disputa pela liderança na inteligência artificial tornou-se assim um dos principais eixos da competição estratégica entre as duas potências.

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