Nos últimos anos, o mercado de apostas online em África registou um crescimento explosivo impulsionado pela expansão do acesso à internet, uso massivo de smartphones e uma população jovem cada vez mais conectada. Segundo dados da H2 Gambling Capital, as receitas do setor deverão atingir 13,5 mil milhões de dólares este ano, mais do dobro do registado em 2023.
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Anuncie aqui!O fenómeno está a preocupar algumas das maiores empresas do continente, que observam uma transferência crescente do rendimento disponível das famílias para plataformas de apostas. O CEO da Shoprite Holdings, Pieter Engelbrecht, afirmou que muitos consumidores estão a gastar dinheiro que antes seria utilizado em produtos essenciais.
“As pessoas estão a gastar dinheiro num buraco negro que poderia ser usado para comida”, declarou.
O impacto já começa a refletir-se em vários setores económicos. Dados do Standard Bank indicam que a percentagem média do rendimento dedicada ao jogo duplicou entre 2021 e 2025, atingindo cerca de 2% do rendimento mensal dos consumidores.
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Anuncie aqui!Segundo o estudo, cerca de 7% dos utilizadores chegam a gastar mais do que o próprio rendimento mensal em apostas, recorrendo frequentemente a crédito e empréstimos.
Na África do Sul, as apostas online cresceram aproximadamente 50% por ano nos últimos três anos, mesmo num contexto de desaceleração do consumo geral, segundo dados do Absa Bank.
O CEO do banco, Kenny Fihla, alertou que o comportamento de apostas se tornou um indicador importante de incumprimento financeiro.
“Quanto mais endividados os clientes ficam, mais apostam e maior se torna o problema”, afirmou.
O setor das telecomunicações também começou a sentir os efeitos do fenómeno. A MTN Group revelou que o crescimento mais lento dos serviços móveis pré-pagos na África do Sul está parcialmente ligado ao aumento da fatia do rendimento destinada às apostas online.
Empresas de moda e retalho, como a Woolworths Holdings, também admitem que parte do orçamento anteriormente reservado ao lazer e consumo está a ser absorvido pelo jogo.
O antigo dependente de jogo Oscar Bishop considera que a situação já atingiu níveis alarmantes.
“Há pessoas a gastar os salários em apostas antes de pagar renda, escola ou transporte”, afirmou.
Atualmente ligado à South African Responsible Gambling Foundation, Bishop defende limites mensais para apostas, restrições publicitárias e regulamentação mais rigorosa para plataformas digitais.
O Tesouro da África do Sul já classificou o fenómeno como uma preocupação relevante de política pública e iniciou consultas sobre possíveis impostos e novas regras para o setor.
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Anuncie aqui!As autoridades pretendem reduzir os impactos sociais associados ao vício do jogo, incluindo endividamento, stress financeiro, problemas familiares e impactos na saúde mental.
Enquanto isso, empresas de apostas continuam a expandir-se rapidamente no continente, aproveitando a procura crescente por plataformas digitais de jogo.








