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Crise dos Opioides em África Ocidental, Como a Epidemia Silenciosa Está a Destruir Comunidades

O abuso de opioides prescritos e drogas sintéticas como o “Kush” está a alimentar uma crise sanitária em vários países da África Ocidental, com milhões de consumidores e milhares de mortes registadas.

Durante mais de dez anos, a região da África Ocidental tem enfrentado uma crescente epidemia de consumo de opioides, com impactos devastadores em famílias, sistemas de saúde e economias locais.

Estima-se que cerca de 30% da população da região consuma substâncias como tramadol e codeína, tornando estes medicamentos entre os mais abusados do continente.

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Entre as substâncias mais perigosas está o chamado “Kush”, uma mistura sintética que pode conter canabinoides e opioides altamente potentes, incluindo nitazenos, por vezes mais fortes do que o fentanil.

As autoridades de países como Serra Leoa e Libéria já declararam emergência nacional devido à gravidade da crise, enquanto o uso de opioides como o tapentadol, conhecido nas ruas como “Red”, continua a aumentar.

West Africa's Opioid Crisis | Drugs | Al Jazeera

Segundo investigações internacionais, grande parte destes medicamentos tem origem em exportações provenientes da Índia, país frequentemente apelidado de “farmácia do mundo”.

Mais de 1.400 remessas de tapentadol, avaliadas em cerca de 130 milhões de dólares, foram enviadas para países da região, incluindo Gana, Nigéria, Benin, Senegal e Serra Leoa.

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As drogas entram frequentemente através de portos comerciais e redes de transporte informal, sendo depois distribuídas por mercados ilícitos em vários países vizinhos.

De acordo com especialistas, a fragilidade das fronteiras porosas e a falta de regulação eficaz facilitam o crescimento desta economia ilegal.

The Rise Of India's Pharmaceutical Industry To A Forecasted $450 Billion

Investigações revelaram ainda o papel de empresas farmacêuticas indianas na produção de combinações perigosas como o “Tafrodol”, uma mistura de tapentadol e carisoprodol.

Este composto não é autorizado em nenhum país, incluindo a Índia e os Estados de destino, mas continuou a ser exportado através de lacunas regulatórias.

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Após denúncias e investigações internacionais, as autoridades indianas chegaram a suspender algumas operações, mas novos relatórios indicam que as exportações de opioides continuaram a aumentar nos anos seguintes.

Entre 2023 e 2025, o valor do tapentadol exportado para África Ocidental atingiu quase 130 milhões de dólares, com mais de 320 milhões de comprimidos enviados.

West Africa border security operation targets Foreign Terrorist Fighters

Mais de 80% do volume total destas exportações foi direcionado para Serra Leoa e Gana, dois países estratégicos devido aos seus portos e rotas comerciais.

As autoridades de saúde de Gana afirmam não ter autorizado qualquer importação de tapentadol em doses elevadas, levantando preocupações sobre falhas graves de controlo internacional.

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Especialistas em saúde pública apontam que a crise resulta de uma combinação de pobreza, desemprego, fragilidade institucional e falta de oportunidades para os jovens.

Estas condições criam um ambiente propício ao consumo de substâncias perigosas como forma de escape social e económico.

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas, multidão e texto

Segundo investigadores, a ausência de sistemas de monitorização eficazes dificulta a recolha de dados fiáveis sobre o consumo de drogas na região.

Muitos pacientes não têm acesso a cuidados hospitalares, enquanto vários sistemas de saúde ainda não estão totalmente digitalizados, o que limita a capacidade de resposta das autoridades.

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Agências reguladoras como a NAFDAC na Nigéria têm tentado combater o problema, mas especialistas alertam que a cooperação regional é essencial para travar o fluxo de substâncias ilícitas.

As redes de tráfico aproveitam rotas transfronteiriças pouco controladas para movimentar grandes quantidades de comprimidos ilegais.

Graphic | A Drug Supply Chain Example | FDA

A crise também levanta questões sobre a responsabilidade da indústria farmacêutica global, especialmente no setor de genéricos, onde a Índia desempenha um papel dominante.

O país representa cerca de 20% da produção mundial de medicamentos genéricos, mas enfrenta críticas sobre falhas de supervisão em exportações para regiões vulneráveis.

Especialistas alertam que sem uma abordagem coordenada entre países produtores e consumidores, a crise dos opioides poderá continuar a expandir-se.

A solução, segundo investigadores, passa por políticas transnacionais, reforço do controlo fronteiriço e maior responsabilização das empresas envolvidas na cadeia de produção e distribuição.

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