Criado durante a chamada “Período Especial”, após o colapso da União Soviética, o GAESA surgiu num momento em que Fidel Castro decidiu abrir parcialmente a economia cubana ao turismo internacional e às remessas vindas do exterior. Antigas infraestruturas militares foram convertidas em hotéis e parte dos meios de transporte militares passou a servir o setor turístico.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!Atualmente, o conglomerado controla uma ampla rede de hotéis, agências de viagens, lojas, portos, alfândegas e serviços financeiros em Cuba. Economistas citados pelo Financial Times estimam que o grupo possa representar até 40% do Produto Interno Bruto cubano.
Apesar da sua influência económica, o Grupo de Administración Empresarial S.A. continua envolto em grande opacidade. O grupo não possui site oficial nem divulga detalhes sobre as suas finanças, lucros ou estrutura acionista, o que alimenta críticas tanto dentro como fora de Cuba.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!O secretário de Estado norte-americano Marco Rubio acusou recentemente o conglomerado de concentrar riqueza sem beneficiar diretamente a população cubana. Segundo Rubio, os lucros do grupo não são canalizados para áreas como educação, infraestruturas ou programas sociais.
Vários economistas cubanos classificam o GAESA como um verdadeiro “complexo militar-industrial” utilizado para consolidar o poder político e económico da elite governante. O economista cubano Pavel Vidal afirmou que o conglomerado funciona como um “Estado económico paralelo”, operando sem supervisão pública efetiva.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!A influência do grupo está diretamente ligada ao antigo líder cubano Raúl Castro, apontado por muitos analistas como a figura que concentrou poder económico nas mãos das Forças Armadas após o afastamento gradual de Fidel Castro da vida política.
Embora tenha deixado oficialmente a liderança do Partido Comunista em 2021, Raúl Castro continua a ser visto como uma figura influente nos bastidores do poder cubano. Especialistas afirmam que o atual presidente, Miguel Díaz-Canel, possui margem de decisão limitada perante o peso político e militar herdado do período castrista.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!Durante o governo de Raúl, Cuba implementou algumas reformas económicas, incluindo a legalização limitada do trabalho por conta própria e uma abertura parcial ao setor privado. Contudo, segundo analistas, o fortalecimento do GAESA acabou por recentralizar grande parte da economia sob controlo militar.
As relações entre Cuba e os Estados Unidos conheceram um breve período de aproximação durante a presidência de Barack Obama. Em 2016, Obama visitou Havana e formalizou acordos destinados a restabelecer relações diplomáticas e ampliar trocas comerciais entre os dois países.
No entanto, o regresso de Donald Trump à presidência norte-americana marcou uma nova escalada de tensões. A administração Trump reforçou sanções contra Cuba e intensificou medidas direcionadas especificamente ao GAESA.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!Os Estados Unidos impuseram recentemente novas sanções ao conglomerado militar, incluindo restrições a empresas estrangeiras que mantenham relações comerciais com o grupo. A general Ania Guillermina Lastres Morera, dirigente do GAESA e membro do comité central do Partido Comunista, também foi alvo de sanções.
As medidas norte-americanas já provocaram impactos económicos, incluindo o recuo da empresa canadiana Sherritt em projetos ligados ao setor mineiro cubano. Analistas consideram que Washington procura aumentar a pressão económica sobre Havana para obter concessões políticas mais amplas.
Apesar disso, o governo de Miguel Díaz-Canel afirma estar disposto a dialogar com os Estados Unidos sobre direitos humanos, migração e cooperação económica, mas insiste que o sistema político e económico cubano não está aberto a negociações.
O futuro das relações entre Havana e Washington permanece incerto, enquanto o Grupo de Administración Empresarial S.A. continua a desempenhar um papel central na economia e no equilíbrio de poder em Cuba. Para muitos observadores, o conglomerado representa simultaneamente a principal força económica do país e um dos maiores obstáculos à transparência e à abertura política.
Submeta os seus anúncios online em 4 etapas simples — com pré-visualização imediata, estatísticas em tempo real e preços a partir de 1000 MZN.








