As equipas de resgate provenientes de vários países continuam a trabalhar contra o tempo no norte da Venezuela, onde dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5, registados com apenas 39 segundos de intervalo, provocaram uma catástrofe humanitária sem precedentes. Segundo as Nações Unidas, pelo menos 920 pessoas morreram e mais de 50 mil continuam desaparecidas, enquanto as possibilidades de encontrar sobreviventes diminuem rapidamente.
O estado costeiro de La Guaira, próximo de Caracas, concentra os maiores estragos, com bairros inteiros reduzidos a montanhas de escombros e milhares de famílias desalojadas.
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Perante a dimensão da tragédia, equipas especializadas do Chile, Espanha, El Salvador, Suíça, Colômbia, México e de outros países começaram a chegar às zonas afetadas. No total, pelo menos 17 países participam na resposta internacional coordenada pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
Apesar da mobilização sem precedentes, os especialistas admitem que a missão se torna cada vez mais difícil à medida que passam as horas desde o desastre.
Em La Guaira, o comandante da equipa chilena de resgate, Nadiomar Polanco, descreveu um cenário devastador. Segundo explicou, muitos edifícios colapsaram totalmente, reduzindo drasticamente as hipóteses de encontrar pessoas com vida sob os escombros.
As operações concentram-se agora sobretudo na recuperação de corpos, embora as equipas continuem a procurar sinais de sobreviventes em algumas estruturas parcialmente destruídas.
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Enquanto os meios internacionais chegam ao terreno, milhares de familiares, vizinhos e voluntários continuam a remover pedras e destroços com as próprias mãos, denunciando a falta de maquinaria pesada e de assistência suficiente nas primeiras horas após o desastre.
Entre os testemunhos mais emocionantes está o de Marjosly Salazar, que perdeu a filha de 16 anos e continua à procura do neto de apenas cinco meses e de outro familiar desaparecido, apelando desesperadamente ao envio de equipamentos capazes de levantar as enormes colunas de betão.
A resposta das autoridades também tem sido alvo de críticas. Durante uma visita a um bairro devastado de Caracas, a presidente interina Delcy Rodríguez foi recebida por moradores revoltados, que acusaram o Governo de demora e insuficiência na resposta à emergência.
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Apesar das críticas, Rodríguez confirmou ter recebido o apoio dos Estados Unidos, depois de uma conversa telefónica com o Presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, que prometeram reforçar a assistência humanitária.
Washington já anunciou o envio de mais de 250 especialistas, incluindo três equipas de busca urbana equipadas com cães treinados, maquinaria especializada e apoio logístico. Paralelamente, vários meios militares norte-americanos participam na coordenação das operações humanitárias.
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As Nações Unidas alertam, contudo, que a tragédia poderá agravar ainda mais a já frágil situação humanitária da Venezuela, marcada por dificuldades económicas, insegurança alimentar e limitações no acesso aos cuidados de saúde.
As autoridades confirmaram igualmente vítimas de várias nacionalidades, incluindo 28 portugueses, cinco espanhóis, dois brasileiros, sete chineses, um chileno e um cidadão ítalo-venezuelano. Portugal continua a procurar 85 cidadãos desaparecidos, enquanto Espanha mantém 119 nacionais ainda sem localização conhecida.
Em sinal de homenagem às vítimas, todos os jogos do Mundial de Futebol de 2026 disputados na sexta-feira começaram com um minuto de silêncio, recordando aquela que já é considerada a pior catástrofe natural registada na Venezuela em mais de um século.







