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Ruanda afirma que Moçambique continuará a financiar operação militar em Cabo Delgado após fim do apoio da União Europeia

Governo ruandês diz que cooperação militar com Moçambique continuará após término do financiamento europeu, destacando o sucesso das operações contra grupos armados no norte do país.

O posicionamento foi divulgado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, através da rede social X. Segundo o responsável, a colaboração entre os dois países continuará “na mesma linha”, destacando que o trabalho das forças ruandesas é reconhecido pelas autoridades moçambicanas. Kigali insiste que a estabilidade alcançada em Cabo Delgado justifica a continuidade da operação conjunta. O Ruanda mantém tropas no norte de Moçambique desde 2021.

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Em causa está o fim do financiamento europeu à operação ruandesa em Cabo Delgado, após desembolsos de cerca de 40 milhões de euros através do Mecanismo Europeu para a Paz. O apoio da União Europeia já estava previsto terminar em maio, ao fim de 36 meses de assistência financeira. As forças ruandesas apoiam as Forças Armadas moçambicanas no combate aos grupos armados que atuam na região desde 2017. Cabo Delgado concentra alguns dos maiores projetos de gás natural liquefeito em África.

O chefe da diplomacia ruandesa afirmou que o apoio europeu representava apenas “uma pequena fração” das despesas assumidas por Kigali em Moçambique. Olivier Nduhungirehe criticou ainda a postura de alguns Estados-membros da União Europeia, acusando-os de transformar o apoio à segurança regional em “críticas irracionais” ao Ruanda. O governante mencionou diretamente antigas potências coloniais, numa referência a Portugal e Bélgica. Kigali considera que a operação beneficiou igualmente interesses económicos europeus na região.

Double attack': The curse of natural gas and armed groups in Mozambique |  Human Rights News | Al Jazeera

Segundo o Governo ruandês, a missão militar permitiu restaurar estabilidade em várias zonas afetadas pela insurgência armada. Kigali afirma que famílias regressaram às suas casas, escolas reabriram e empresas retomaram atividades após a intervenção iniciada em 2021. O Ruanda acrescenta que as forças moçambicanas continuam a receber formação militar no âmbito da cooperação bilateral. Empresas internacionais ligadas ao setor energético também retomaram operações consideradas estratégicas.

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As autoridades ruandesas defendem que os investimentos internacionais em gás natural liquefeito, avaliados em dezenas de milhares de milhões de dólares, beneficiaram diretamente da estabilização militar de Cabo Delgado. Kigali entende que os parceiros económicos presentes na região deveriam participar mais ativamente no financiamento das operações de segurança. A posição surge num momento de redefinição das alianças diplomáticas e financeiras em torno da crise no norte de Moçambique.

Rwanda, Mozambique forces recapture port city from rebels

O Governo ruandês confirmou em abril possuir mais de 6.300 militares destacados em Cabo Delgado, um número três vezes superior ao contingente inicial enviado em 2021. Kigali afirma que operações prolongadas contra grupos armados exigem um modelo de financiamento sustentável e equilibrado entre os diferentes parceiros envolvidos. A porta-voz do Governo ruandês, Yolande Makolo, declarou anteriormente que o Ruanda suportou grande parte dos custos financeiros da missão. Kigali considera necessária uma nova abordagem de longo prazo.

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A posição do Ruanda surge também numa altura de crescente pressão internacional relacionada com o conflito na República Democrática do Congo. Os Estados Unidos aplicaram recentemente sanções às Forças de Defesa do Ruanda devido às acusações ligadas ao conflito no leste congolês. Ao mesmo tempo, Washington continua ligado ao financiamento do megaprojeto de gás natural liderado pela TotalEnergies em Cabo Delgado. O contexto aumenta a sensibilidade diplomática em torno da presença militar ruandesa na região.

UK oil and gas producers call for more investment to ease energy crunch |  Reuters

Apesar do fim do apoio europeu, Kigali garante que a cooperação militar com Moçambique continuará ativa. O Governo ruandês sublinha que o financiamento das operações passará agora a depender diretamente das autoridades moçambicanas e dos parceiros económicos envolvidos na província. O Ruanda considera que a estabilidade de Cabo Delgado permanece essencial para a segurança regional e para os investimentos energéticos em curso. As operações conjuntas continuam no terreno enquanto persistem ameaças armadas no norte do país.

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