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Redução do apoio internacional obriga famílias deslocadas a apostar na autossuficiência no norte de Moçambique

Autoridades e organizações reforçam estratégias de resiliência comunitária face à diminuição da assistência humanitária

A diminuição do financiamento internacional para a assistência humanitária está a obrigar autoridades e organizações a priorizar estratégias de autossuficiência das famílias deslocadas pelo terrorismo, sobretudo no norte de Moçambique.

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Falando este sábado (25), num debate radiofónico da Rádio Moçambique (RM), a delegada do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) em Niassa, Isabel Cavo, afirmou que o fim do apoio alimentar directo, anteriormente assegurado pelo Programa Mundial de Alimentação (PMA), obrigou à adaptação das comunidades.

“As famílias foram sensibilizadas para se prepararem, porque muitas já tinham beneficiado de cursos e kits de subsistência para garantir o seu sustento”, disse.

Segundo a responsável, a maioria dos deslocados encontra-se actualmente integrada nas comunidades locais. “Grande parte destas famílias já está inserida e leva uma vida normal, com actividades agrícolas e pequenos negócios”, explicou.

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Na província de Nampula, a delegada Anacleta Botão indicou que o número de deslocados provenientes de Cabo Delgado reduziu de mais de 61 mil para cerca de 28 mil pessoas.

“Estamos a trabalhar no contexto de soluções duradouras para garantir que as famílias tenham capacidade de desenvolver as suas vidas por si próprias”, afirmou.

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Botão referiu ainda a criação de condições estruturais em centros de reassentamento, com serviços básicos como escolas, água, energia e saúde, fundamentais para a integração.

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Por outro lado, reiterou que o regresso às zonas de origem é voluntário. “O Governo não força o regresso. As famílias regressam quando se sentem seguras”, afirmou.

Por seu turno, o representante do Conselho Cristão de Moçambique (CCM), Emerson Ubisse, destacou que a assistência actual privilegia intervenções estruturantes.

“O objectivo não é apenas distribuir bens, mas impactar vidas e criar condições para que as comunidades deixem de depender de ajuda”, explicou.

Já o secretário da Cruz Vermelha de Moçambique, Abílio Campos, enfatizou a componente de protecção social.

“Estamos a trabalhar na reunificação de crianças e no apoio psicossocial, porque sem estabilidade emocional não há vida normal”, afirmou.

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Ao nível local, o representante do CCM em Niassa, Constâncio Sandi, sublinhou a continuidade do apoio, apesar das limitações.

“Mesmo com a retirada dos parceiros, continuamos a apoiar psicologicamente as comunidades, levando mensagens de esperança”, disse.

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Apesar dos constrangimentos, os intervenientes defenderam o reforço da coordenação e a aposta em meios de subsistência e na resiliência comunitária, como forma de garantir dignidade às famílias afectadas.

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O INGD reconhece que a assistência humanitária na província de Cabo Delgado continua a ser condicionada pela conjugação de choques climáticos e pelo impacto do conflito armado, afectando as mesmas comunidades.

Falando no mesmo debate, o delegado do INGD em Cabo Delgado, Marques Naba, explicou que a resposta humanitária deve ser ajustada a um cenário complexo e simultâneo.

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“Na província, olhamos para dois aspectos: a mesma comunidade é vítima da época chuvosa e do conflito. Este é o grande desafio que todos os actores humanitários gerem”, afirmou.

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Segundo o responsável, na presente época chuvosa e ciclónica foram registadas 4.570 casas afectadas, das quais 1.316 totalmente destruídas, além de danos em infra-estruturas sociais.

“Estamos a falar de 3.629 famílias, correspondentes a 9.671 pessoas afectadas apenas pela época chuvosa”, detalhou.

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Paralelamente, o conflito continua a gerar deslocamentos significativos. Dados recentes indicam que cerca de 434 mil pessoas permanecem em centros de reassentamento, enquanto mais de 678 mil já regressaram às zonas de origem.

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O INGD sublinhou que a assistência abrange não só os deslocados, mas também famílias acolhedoras e populações retornadas, de modo a evitar tensões comunitárias.

Desde o início da actual campanha, o Governo e parceiros assistiram mais de 64 mil famílias com bens alimentares e não alimentares.

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Face à redução do financiamento internacional, a estratégia evolui para soluções sustentáveis, com enfoque nos meios de subsistência.

“Já não estamos a investir em tendas, mas em materiais de construção e na criação de aldeias estruturadas com serviços básicos como escolas, mercados e unidades sanitárias”, referiu.

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O dirigente reiterou que o Governo mantém a liderança da coordenação humanitária, sendo os parceiros responsáveis por complementar os planos definidos.

Por sua vez, representantes da sociedade civil alertam para desafios adicionais. O representante do Fórum das Associações da Província de Cabo Delgado (FOCADE), Carlos Manjate, destacou a necessidade de maior inclusão das organizações nacionais.

“As organizações nacionais assumem maiores riscos em zonas de difícil acesso, mas continuam a receber menos recursos que as internacionais”, afirmou.

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