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Onda de calor histórica na Europa terá provocado mais de 14 mil mortes e reforça alerta sobre crise climática

A vaga de calor que atingiu vários países europeus no final de junho tornou-se uma das mais mortais da história recente do continente, com França, Alemanha, Bélgica, Espanha e Reino Unido entre os países mais afetados.

As temperaturas ultrapassaram os 40 graus Celsius em várias regiões, quebrando recordes históricos e colocando milhões de pessoas sob condições de calor extremo. Cientistas afirmam que este tipo de fenómeno seria praticamente impossível sem o aquecimento global provocado pela emissão de gases com efeito de estufa.

Os dados analisados indicam que a Alemanha registou cerca de 6.800 mortes adicionais durante a semana mais crítica da vaga de calor, enquanto França contabilizou aproximadamente 2.000 mortes acima da média habitual.

Na Bélgica, o instituto público de saúde Sciensano registou 1.747 mortes adicionais entre 18 de junho e 1 de julho, sendo a região da Valónia uma das mais afetadas, com um aumento significativo da mortalidade.

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Nos Países Baixos, as autoridades identificaram cerca de 480 mortes adicionais durante a última semana de junho, embora tenham alertado que o impacto total poderá ser conhecido apenas após a análise completa dos dados.

O conceito de “mortes adicionais” representa o aumento do número de óbitos comparado com os valores médios esperados para o mesmo período. Este indicador é frequentemente utilizado para avaliar rapidamente o impacto de fenómenos extremos, já que o calor não provoca apenas mortes directas por insolação, mas também agrava doenças cardiovasculares, respiratórias e outras condições de saúde.

Europe sizzles in 'unprecedented' heatwave as temperatures pass 40 degrees  Celsius | South China Morning Post

Em França, onde algumas regiões ultrapassaram os 40 graus Celsius, a agência nacional de saúde pública registou 2.025 mortes adicionais entre 22 e 28 de junho, representando um aumento de 29% em relação à semana anterior.

A região de Île-de-France, onde se encontra Paris, foi particularmente afectada, com 619 mortes adicionais registadas no mesmo período, um crescimento de quase 63% na mortalidade.

As autoridades francesas indicaram que os números poderão ainda aumentar à medida que novos dados forem analisados, especialmente devido ao impacto prolongado das temperaturas elevadas sobre populações vulneráveis.

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Embora os idosos continuem a representar o grupo de maior risco durante vagas de calor, especialistas alertam que os efeitos não se limitam às pessoas mais velhas.

Na Bélgica, por exemplo, cerca de 280 das mortes adicionais ocorreram em pessoas com menos de 65 anos, segundo dados das autoridades sanitárias. O país considerou esta vaga de calor a mais mortal desde o início dos seus registos, em 2000.

Investigadores explicam que o calor extremo exerce uma pressão significativa sobre o organismo, aumentando o risco de complicações em pessoas com problemas cardíacos, respiratórios ou outras doenças crónicas.

Germany records new all-time temperature high as Europe heatwave moves east

A Alemanha foi o país europeu com maior número estimado de mortes adicionais durante o período mais intenso da vaga de calor.

Segundo os dados do instituto nacional de estatística alemão, cerca de 6.800 mortes adicionais foram registadas entre 22 e 28 de junho.

O Instituto Robert Koch, principal organismo de saúde pública do país, estimou ainda que cerca de 5.100 mortes em 2026 poderão estar relacionadas com temperaturas elevadas, sendo a maioria associada à vaga de calor de junho.

Os especialistas alertam, contudo, que estes números podem representar uma subestimação do verdadeiro impacto do fenómeno.

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Em Espanha, o Instituto de Saúde Carlos III identificou 812 mortes directamente relacionadas com o calor entre 18 e 30 de junho.

Apesar das temperaturas excepcionais, algumas regiões espanholas conseguiram reduzir parcialmente o impacto devido a uma maior utilização de sistemas de ar condicionado. Cerca de 40% das habitações espanholas possuem equipamentos de climatização, contra uma média europeia próxima dos 20%.

Ainda assim, as autoridades consideram que a intensidade da vaga de calor demonstra a crescente vulnerabilidade das sociedades europeias perante fenómenos climáticos extremos.

Cited 7 July 2026: 'Impossible' heat | Global ocean record | Climate change  and the ozone hole - Carbon Brief

Investigadores europeus afirmam que a relação entre esta vaga de calor e as alterações climáticas é clara. Estudos científicos indicam que as temperaturas registadas durante este período seriam extremamente improváveis sem o impacto das actividades humanas, principalmente a utilização de combustíveis fósseis.

Um estudo realizado por investigadores ligados ao Imperial College London, ao Met Office britânico e à London School of Hygiene & Tropical Medicine estimou que cerca de 2.200 pessoas morreram devido ao calor em Inglaterra e no País de Gales entre 18 e 28 de junho.

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Os mesmos investigadores concluíram que aproximadamente 42% dessas mortes podem estar directamente relacionadas com o aumento das temperaturas provocado pelas alterações climáticas.

Only one in four European cities have any climate adaptation plan for  climate changes

As autoridades europeias enfrentam agora o desafio de adaptar cidades e sistemas de saúde a um futuro marcado por temperaturas cada vez mais elevadas.

Especialistas defendem medidas como a criação de mais espaços verdes urbanos, sistemas públicos de arrefecimento, melhor preparação dos serviços de emergência e maior protecção das populações vulneráveis.

Para os cientistas, a vaga de calor de junho representa mais um aviso de que a crise climática deixou de ser uma ameaça distante e passou a ter consequências imediatas na vida das populações.