O gabinete do emir confirmou a morte do antigo líder, descrevendo-a como uma grande perda para a nação. Milhares de pessoas reuniram-se na mesquita Imam Mohammad ben Abdel Wahhab, em Doha, para as orações fúnebres antes da cerimónia de sepultamento no cemitério de Lusail.
As autoridades decretaram vários dias de luto oficial, com o encerramento de instituições públicas e a colocação das bandeiras nacionais a meia-haste em homenagem ao antigo soberano.
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O atual emir do Qatar, Sheikh Tamim ben Hamad al-Thani, participou nas cerimónias em memória do pai, que surpreendeu a região em 2013 ao abdicar voluntariamente do poder em favor do seu quarto filho.
A decisão foi considerada pouco comum no Golfo, onde muitos líderes permanecem no poder até ao fim da vida. Após deixar o cargo, Hamad ben Khalifa manteve uma presença pública discreta.
Quando chegou ao poder em 1995, após afastar o pai, Sheikh Khalifa ben Hamad, através de uma transição interna sem derramamento de sangue, Hamad herdou um país pequeno e com recursos financeiros limitados.
Durante o seu mandato, lançou uma estratégia de desenvolvimento acelerado baseada sobretudo nas enormes reservas de gás natural liquefeito (GNL), tornando o Qatar num dos maiores produtores mundiais.
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Uma das ferramentas centrais desta transformação foi a criação da Qatar Investment Authority, o fundo soberano responsável por investir milhares de milhões de dólares em projetos nacionais e internacionais.
A política económica conduzida por Hamad permitiu ao Qatar aumentar significativamente a sua riqueza e expandir a sua presença global através de investimentos estratégicos em diferentes setores.
Paralelamente, o antigo emir posicionou o país como um ator diplomático relevante no Médio Oriente, assumindo frequentemente papéis de mediador em conflitos regionais e reforçando relações com diferentes potências internacionais.
Aliado próximo dos Estados Unidos, o Qatar passou a desempenhar um papel crescente na política árabe e internacional.
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Uma das decisões mais marcantes do seu reinado foi a criação, em 1996, da cadeia internacional Al Jazeera, que rapidamente se tornou um dos principais meios de comunicação do mundo árabe.
A estação ganhou grande influência durante os acontecimentos conhecidos como Primaveras Árabes, aumentando a projeção internacional do Qatar e reforçando a sua capacidade de influência regional.
No plano interno, Hamad também promoveu algumas reformas políticas, incluindo a aprovação por referendo, em 2003, de uma Constituição que estabeleceu uma separação formal entre os poderes executivo, legislativo e judicial.
Foi ainda durante o seu mandato que o Qatar conquistou um dos maiores projetos de projeção internacional da sua história: a organização do Mundial de Futebol de 2022.
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Em 2010, quando a FIFA anunciou a escolha do Qatar como país anfitrião, Hamad ben Khalifa ainda exercia o cargo de emir.
O país iniciou então uma transformação profunda das suas infraestruturas, com investimentos em estádios, transportes e desenvolvimento urbano.
Durante o seu reinado, o Qatar também estabeleceu uma política externa ativa, incluindo apoio financeiro a projetos na Faixa de Gaza, onde ajudou a financiar obras de infraestrutura e construção de um hospital que recebeu o nome do antigo emir.
A estratégia internacional de Hamad combinou energia, investimento, diplomacia e comunicação, permitindo que um dos menores Estados árabes conquistasse uma influência muito superior à sua dimensão territorial.
O Qatar possui atualmente cerca de 11.437 quilómetros quadrados e uma população aproximada de 2,5 milhões de habitantes, sendo a maioria composta por estrangeiros.
Governado pela família al-Thani desde o século XIX, o país manteve a sua independência após rejeitar integrar os Emirados Árabes Unidos aquando da sua formação em 1971, depois do fim do protetorado britânico.







