Os serviços de saúde moçambicanos registaram, em 2025, um total de 32.281 pacientes com perturbações mentais associadas ao consumo de álcool e drogas, o que representa um aumento de 27,5% em relação a 2024, segundo dados divulgados pelo Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga.
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Anuncie aqui!Os números foram apresentados pelo porta-voz da instituição, José Bambo, que destacou o crescimento significativo dos casos ligados ao consumo de múltiplas substâncias, com 13.452 registos, seguido do álcool, com 10.999 casos. As drogas como canabinóides (2.767 casos) e opióides (2.338 casos) também figuram entre as principais causas de procura dos serviços de saúde.
O consumo simultâneo de várias substâncias foi o segmento que mais cresceu, com um aumento de 33,9%, passando de 8.886 para 13.452 atendimentos, consolidando-se como a principal origem das perturbações mentais associadas ao consumo de drogas. O álcool também registou uma subida expressiva de 26,6%, reforçando o seu peso na saúde pública.
Apesar de números absolutos mais baixos, o consumo de cocaína também apresentou um aumento de 26,7%, sinalizando uma tendência emergente. Em contrapartida, verificou-se uma redução nos casos associados a solventes, substâncias voláteis e alucinógenos, fenómeno que poderá refletir mudanças nos padrões de consumo ou subnotificação.
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Anuncie aqui!Em termos etários, a maior incidência de casos concentra-se entre os 21 e os 30 anos, com destaque para as faixas dos 21–25 e 26–30 anos. O consumo de canabinóides e opióides é mais frequente entre os mais jovens, enquanto os efeitos do álcool tendem a intensificar-se progressivamente com a idade, atingindo picos entre os 36 e 40 anos.
Os dados revelam ainda um aumento generalizado da procura de serviços de saúde mental em todas as faixas etárias, com maior impacto entre jovens dos 15 aos 30 anos, grupo considerado particularmente vulnerável.
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Anuncie aqui!No plano económico, o tratamento da dependência, nomeadamente através da terapia de substituição com metadona, representa um encargo significativo para o sistema nacional de saúde. Os custos ultrapassam os 88,6 milhões de meticais, evidenciando a dimensão financeira do problema.
No domínio da segurança, o Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga informou que, em 2025, foram apreendidos 4.404,739 quilogramas de substâncias proibidas, resultado de operações coordenadas entre várias entidades.
As autoridades registaram ainda a detenção de 613 indivíduos e a instauração de 495 processos-crime, enquanto na vertente prisional foram detidas 403 pessoas por crimes relacionados com drogas, uma redução face às 923 do ano anterior. Entre os detidos, 187 encontram-se em prisão preventiva e 216 já foram condenados.
Do total de detidos, 335 são homens e 68 mulheres, com mais de 63% dos casos a envolver jovens entre os 21 e 35 anos, reforçando o impacto do fenómeno sobre a população ativa e produtiva.
O Instituto Nacional de Actividades Económicas (INAE) reconhece ainda a existência de fábricas clandestinas de bebidas alcoólicas, como o “Xivotxongo”, e afirma que estão em curso operações para o seu desmantelamento.
As autoridades indicam também que parte significativa das drogas consumidas no país tem origem internacional, com rotas associadas à Índia, Brasil e Paquistão, enquanto a cannabis sativa continua a ser produzida localmente, dificultando o controlo.
No conjunto, os dados traçam um cenário em que o consumo de substâncias psicoativas deixa de ser apenas uma questão de segurança pública, passando a constituir um problema estrutural de saúde mental e desenvolvimento social, com impacto direto sobre a juventude moçambicana.







