Num discurso televisionado à nação, Ramaphosa afirmou respeitar a decisão do tribunal constitucional, mas garantiu que continuará a defender-se das acusações.
“Embora existam apelos em alguns círculos para que eu me demita, nada no acórdão do Tribunal Constitucional me obriga a renunciar ao cargo”, declarou o chefe de Estado.
O escândalo tornou-se público em 2022 e causou forte embaraço político ao Presidente sul-africano, que chegou ao poder em 2018 prometendo combater a corrupção e restaurar a imagem do partido no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC).
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Anuncie aqui!O caso envolve o roubo de grandes quantias de dinheiro em moeda estrangeira escondidas num sofá da fazenda Phala Phala, propriedade de Ramaphosa.
Segundo o Presidente, os ladrões terão roubado cerca de 580 mil dólares em 2020. No entanto, um antigo responsável dos serviços de inteligência alegou que o valor roubado poderá ter ultrapassado os 4 milhões de dólares.
O episódio levantou várias questões sobre a origem do dinheiro, a sua declaração às autoridades e o motivo pelo qual os valores estavam escondidos em móveis, em vez de depositados num banco.
Ramaphosa, empresário milionário antes de assumir a presidência, afirmou que o dinheiro resultava da venda de búfalos na sua fazenda.
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Anuncie aqui!Uma investigação conduzida pelo banco central sul-africano concluiu anteriormente que o Presidente não violou as regras cambiais do país.
Na semana passada, o tribunal constitucional decidiu invalidar a votação parlamentar de 2022 que havia bloqueado o processo de impeachment, determinando que as alegações devem ser investigadas mais profundamente.
Analistas políticos afirmam que o momento é particularmente delicado para o ANC, numa altura em que o partido enfrenta crescente pressão antes das eleições municipais previstas para novembro.
“O momento não poderia ser pior do ponto de vista do ANC”, afirmou o analista político independente Daniel Silke.
O ANC convocou uma reunião especial do seu Comité Executivo Nacional para discutir o impacto político da crise e definir a posição do partido.
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Anuncie aqui!Apesar da pressão, especialistas acreditam que Cyril Ramaphosa deverá sobreviver a um eventual processo de impeachment, uma vez que a destituição presidencial exige uma maioria de dois terços no parlamento.
Embora o ANC tenha perdido a maioria parlamentar nas eleições de 2024, o partido continua a controlar cerca de 40% dos assentos na Assembleia Nacional.
O partido do antigo Presidente Jacob Zuma, denominado uMkhonto weSizwe, solicitou ao presidente da Assembleia Nacional a marcação de uma votação de moção de censura contra Ramaphosa.
No entanto, analistas consideram improvável o sucesso da iniciativa, uma vez que o Presidente deverá contar com o apoio da maioria dos deputados do ANC e de parceiros estratégicos da coligação, incluindo a Democratic Alliance.






