Os Estados Unidos e o Irão intensificaram esta segunda-feira a troca de ameaças, a apenas dois dias do fim do cessar-fogo acordado entre ambos, num momento em que persiste a incerteza sobre a retoma das negociações diplomáticas. A possibilidade de novos contactos no Paquistão permanece em aberto, embora sem calendário definido.
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Anuncie aqui!Uma fonte próxima do processo confirmou que uma delegação norte-americana deverá deslocar-se “em breve” a Islamabad para conversações com representantes iranianos. Ainda assim, ao final do dia em Washington, não havia detalhes adicionais sobre a viagem, enquanto se aproxima o termo da trégua iniciada a 8 de abril, após mais de um mês de conflito que abalou o Médio Oriente e teve repercussões na economia global.
O prazo expira “quarta-feira à noite, hora de Washington”, indicou Donald Trump, considerando “muito improvável” qualquer prolongamento. Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, rejeitou negociações sob pressão e afirmou que o país está preparado para “jogar novas cartas no terreno”.
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Anuncie aqui!O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, declarou que não existe, “nesta fase”, qualquer plano para um novo ciclo de negociações, colocando em causa o “seriedade” da posição norte-americana. As declarações refletem um clima de desconfiança crescente entre as duas potências.
A retórica agravou-se quando Donald Trump advertiu que, caso as exigências dos Estados Unidos não sejam cumpridas, “muitas bombas irão explodir”. O presidente norte-americano reiterou ainda a intenção de manter o bloqueio aos portos iranianos até à concretização de um acordo, afirmando que a medida já provoca perdas de cerca de 500 milhões de dólares por dia ao Irão.
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Anuncie aqui!Apesar do bloqueio, dados da empresa Lloyd’s List Intelligence indicam que pelo menos 26 navios ligados à chamada “frota fantasma” iraniana conseguiram contornar as restrições desde a sua implementação. Este jogo de pressões económicas e estratégicas contribui para a instabilidade na região.
Em Teerão, onde os principais aeroportos reabriram após semanas de encerramento, a vida parece retomar gradualmente o seu ritmo. Cafés voltam a encher-se, parques recebem visitantes, mas o sentimento dominante entre a população é de cansaço e resignação. “Seja qual for o desfecho, os perdedores serão sempre os iranianos”, lamenta uma jovem profissional entrevistada.
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Anuncie aqui!Outros testemunhos descrevem um cenário mais sombrio. Uma mulher de 39 anos fala de uma situação “terrível”, marcada por milhares de mortos nos bombardeamentos recentes, agravamento das condições económicas e repressão crescente. “Não há luz ao fundo do túnel”, resume.
No plano internacional, os mercados energéticos continuam a reagir à volatilidade. Os preços do petróleo recuaram ligeiramente após subirem devido às tensões no Estreito de Ormuz, por onde transita uma parte significativa do abastecimento mundial de hidrocarbonetos. O presidente chinês, Xi Jinping, sublinhou a necessidade de manter esta rota aberta durante uma conversa com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.
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Anuncie aqui!Perante o bloqueio norte-americano, Teerão anunciou a retoma do “controlo estrito” do estreito, revertendo decisões anteriores. O país prometeu ainda retaliar pela apreensão de um navio iraniano no golfo de Omã, intensificando o risco de confrontação direta.
Analistas consideram improvável um acordo a curto prazo. “Cada parte tenta impor o seu próprio bloqueio em pontos estratégicos”, observa o investigador Pierre Razoux, apontando para um impasse que pode prolongar-se.
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Anuncie aqui!As divergências mantêm-se também no dossier nuclear. Washington afirma que o Irão aceitou entregar o seu urânio altamente enriquecido, algo que Teerão nega, reiterando o direito ao uso civil da energia nuclear.
Paralelamente, a tensão regional estende-se ao Líbano, onde novas negociações entre Israel e autoridades libanesas estão previstas em Washington. Um cessar-fogo frágil entre Israel e o movimento Hezbollah entrou em vigor recentemente, mas ambas as partes já se acusaram de violações.
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Anuncie aqui!O Conselho de Segurança da ONU condenou o ataque que matou um capacete azul francês, apelando à responsabilização imediata dos autores. O presidente francês, Emmanuel Macron, apontou o Hezbollah como responsável.
Segundo o mais recente balanço oficial, 2.387 pessoas morreram em seis semanas de conflito com Israel, evidenciando a dimensão humana de uma crise que continua longe de uma resolução duradoura.

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