O Governo moçambicano pretende utilizar cerca de 3 mil milhões de meticais provenientes das receitas do gás natural, inicialmente destinados ao Orçamento do Estado, para financiar a reconstrução de infraestruturas danificadas.
A verba estava prevista para novos investimentos em escolas, hospitais e projetos sociais, mas o Executivo justificou a mudança com a necessidade de responder a danos considerados urgentes.
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Anuncie aqui!Segundo o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, os fundos serão canalizados para ações de recuperação e reconstrução após as cheias recentes e os distúrbios pós-eleitorais de 2024-2025.
O objetivo é, segundo o Executivo, garantir uma resposta rápida e eficaz às necessidades imediatas de reposição de infraestruturas e reforço da resiliência socioeconómica.
Para o ativista Abudo Gafuro, a decisão levanta questões estruturais sobre as prioridades do país, sobretudo num contexto em que setores como a educação e a saúde já enfrentam défices históricos.
O ativista questiona por que razão o investimento não é orientado para novas infraestruturas em vez de se concentrar apenas na reposição do que foi destruído.
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Anuncie aqui!Gafuro defende que a opção governamental pode refletir uma falta de vontade política para resolver problemas estruturais de longo prazo que afetam o desenvolvimento do país.
Para ele, a situação revela uma continuidade de fragilidades nos setores sociais mais críticos, sem uma estratégia transformadora consistente.
O investigador Boaventura Monjane, da Universidade de Western Cape, considera que a reconstrução pode ser necessária, mas alerta para a ausência de dados claros sobre o impacto real das destruições.
Segundo o académico, não existe um inventário transparente que permita avaliar com precisão o custo das infraestruturas afetadas pelas cheias e pelos protestos.
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Anuncie aqui!Monjane alerta ainda para o risco de falta de mecanismos de fiscalização eficazes, o que poderia abrir espaço para corrupção e má utilização dos fundos públicos.
O investigador sublinha que a ausência de controlo institucional adequado pode criar oportunidades para desvios de verbas e enfraquecer a confiança pública.
O académico defende ainda a necessidade de um debate nacional sobre as prioridades na utilização das receitas do gás natural e outros recursos energéticos.
Para Monjane, Moçambique continua sem um modelo de desenvolvimento consistente, e experiências anteriores com recursos como o carvão em Tete mostram resultados limitados em termos de redução da pobreza.
Enquanto o Governo aposta numa resposta imediata às crises recentes, o debate sobre o futuro do uso das receitas do gás permanece aberto, num contexto marcado por fragilidades estruturais e pressões sociais crescentes.






