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Ebola em expansão na RDC, OMS admite que dimensão da epidemia pode ser muito superior ao anunciado

A rápida propagação do vírus coloca novos desafios às autoridades sanitárias e aumenta a pressão sobre a resposta internacional.

A epidemia foi declarada há cerca de dois meses na província de Ituri, no nordeste da RDC, junto às fronteiras com o Sudão do Sul e o Uganda. Desde então, a doença ultrapassou os limites da região inicial e já foi identificada em outras quatro províncias: Nord-Kivu, Sud-Kivu, Tshopo e Haut-Uélé.

O país vizinho, Uganda, também confirmou 20 casos, aumentando os receios de uma expansão regional do surto.

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Segundo Chikwe Ihekweazu, responsável pelo programa de gestão de emergências sanitárias da OMS, o aumento da capacidade de deteção está a permitir identificar mais casos diariamente, mas a velocidade de propagação do vírus continua a representar um grande desafio para as equipas no terreno.

“A capacidade de detetar casos está a crescer e melhora todos os dias”, afirmou o responsável, sublinhando, contudo, que a evolução da epidemia continua a ultrapassar a resposta disponível.

Dozens at an Ebola treatment center in northeast Congo go on strike

A atual epidemia já é considerada pela OMS como a terceira maior epidemia de Ebola registada na história e uma das que apresentou a progressão mais rápida num curto período de tempo.

Após uma visita ao leste da RDC, Chikwe Ihekweazu alertou que muitos dos novos casos estão a ser identificados apenas depois da morte dos pacientes nas próprias comunidades.

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A ausência de passagem pelos centros de saúde representa uma das maiores preocupações das autoridades, uma vez que dificulta a identificação das cadeias de transmissão e aumenta o risco de novos contágios.

“Precisamos de detetar as pessoas infetadas mais cedo. Precisamos de reforçar e acelerar a identificação dos contactos. Precisamos de garantir que os centros de saúde sejam acessíveis, seguros e capazes de conquistar a confiança das comunidades”, afirmou.

Faith, fear and trust: Inside DR Congo's fight against Ebola | UN News

Apesar da gravidade da situação, existem alguns sinais positivos na resposta contra o vírus.

O acompanhamento das pessoas que estiveram em contacto com casos confirmados aproxima-se atualmente dos 80%, enquanto a capacidade hospitalar foi reforçada com cerca de 700 camas disponíveis para tratamento de doentes.

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O número de laboratórios preparados para identificar o vírus aumentou igualmente de um para catorze, permitindo acelerar o diagnóstico e reduzir o tempo necessário para confirmar novos casos.

Ainda assim, mais de 90% das infeções continuam concentradas em Ituri, que permanece como o principal centro da epidemia.

J&J and Bavarian Nordic start clinical tests of Ebola vaccine | Reuters

Ao mesmo tempo que as equipas de saúde reforçam as medidas de controlo, novos tratamentos começam a ser avaliados no terreno.

Dois medicamentos estão atualmente em fase de teste na RDC, incluindo um ensaio clínico de uma profilaxia pós-exposição baseada no antiviral obeldesivir, destinado a pessoas que estiveram em contacto direto com casos confirmados.

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O estudo envolve o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa, a agência francesa ANRS Maladies infectieuses émergentes e a organização humanitária Alima.

Desenvolvido pela farmacêutica norte-americana Gilead Sciences, o obeldesivir é administrado por via oral e apresentou resultados promissores em estudos pré-clínicos contra vírus da família dos filovírus, responsáveis por doenças hemorrágicas graves.

Ebola in DR Congo: One month on, scaled up response remains insufficient |  UN News

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou o início do primeiro ensaio clínico destinado a avaliar a eficácia deste tratamento em pessoas expostas ao vírus.

Segundo o responsável, caso o medicamento demonstre eficácia na prevenção do desenvolvimento da doença em pessoas de alto risco, poderá representar um avanço importante no combate ao Ebola.

Enquanto as autoridades tentam travar a propagação do vírus, a situação na República Democrática do Congo continua a exigir uma resposta rápida, com maior vigilância nas comunidades, reforço dos serviços de saúde e aceleração da investigação científica.

A evolução das próximas semanas será determinante para perceber se a epidemia poderá finalmente ser controlada ou se continuará a avançar para novas regiões da África Central.