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Cabo Delgado: ataques dispersos persistem apesar de avanços militares e ausência de territórios

Investidas recentes em Macomia evidenciam a capacidade de mobilidade dos insurgentes, enquanto o Governo insiste na recuperação do controlo territorial e aposta na juventude para consolidar a estabilidade

Um grupo de insurgentes islamistas invadiu, na tarde de sexta-feira, a aldeia de Nkoe, no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado, obrigando os habitantes a fugir. O ataque ocorreu por volta das 15 horas, segundo fontes citadas pela Carta de Moçambique, num cenário que continua a expor a fragilidade da segurança no norte do país.

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Apesar da violência da incursão, não houve registo de vítimas mortais. A população já tinha abandonado a aldeia minutos antes, alertada por sinais de perigo iminente. Ainda assim, os atacantes terão saqueado praticamente todos os bens deixados para trás, aprofundando a precariedade de famílias que vivem entre deslocamentos sucessivos e perda de meios de subsistência.

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Os acontecimentos em Nkoe inserem-se numa dinâmica mais ampla de violência intermitente. Dados do projeto ACLED (Armed Conflict Location and Event Data Project) indicam uma intensificação recente da atividade insurgente em algumas aldeias dos distritos de Macomia, como Litandacua, e de Muidumbe, nomeadamente em Miangaleua.

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Durante quase duas semanas, Macomia não registava movimentos insurgentes, alimentando uma perceção de relativa acalmia. No entanto, a reaparição dos grupos armados demonstra a sua capacidade de reorganização e mobilidade, explorando brechas no dispositivo de segurança e mantendo a pressão sobre as comunidades locais.

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Num desenvolvimento que ilustra a complexidade do conflito, três alegados membros do grupo Estado Islâmico renderam-se, a 29 de março, às forças ruandesas destacadas no posto administrativo de Mucojo. Este episódio sugere dificuldades internas entre os insurgentes, embora não altere o padrão de ataques esporádicos.

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Em Maputo, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou que os insurgentes já não controlam qualquer vila em Cabo Delgado. A declaração foi feita durante a abertura de uma reunião do Conselho Nacional da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), sublinhando os avanços registados pelas forças governamentais.

Segundo o chefe de Estado, as Forças de Defesa e Segurança, com o apoio de aliados regionais, sobretudo do Ruanda e da Tanzânia, conseguiram recuperar áreas anteriormente ocupadas pelos insurgentes. “Hoje, nenhuma vila de Cabo Delgado está ocupada por estes inimigos do povo moçambicano”, declarou.

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Ainda assim, o próprio Presidente reconheceu que os grupos armados continuam ativos, embora em fuga constante devido à pressão militar. Essa condição permite-lhes realizar ataques pontuais, como o de Nkoe, sem capacidade de controlo territorial duradouro.

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Apesar da persistência da ameaça, o Governo considera que há sinais de melhoria. O regresso gradual de deslocados às suas zonas de origem começa a ganhar expressão, num contexto em que, nos últimos seis meses, não foram confirmados casos de rapto — um dos fenómenos mais perturbadores da crise.

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Para o Presidente, esta evolução é determinante para restaurar a confiança e atrair investimento, tanto nacional como estrangeiro. O fim dos raptos, recordou, fazia parte dos compromissos assumidos no seu discurso de investidura.

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Para além da segurança, Chapo colocou a juventude no centro da transformação digital do país. Defendeu que as mudanças tecnológicas devem ser encaradas como uma oportunidade estratégica, apelando a um uso produtivo e responsável das ferramentas digitais.

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Alertou também para os riscos associados às redes sociais, nomeadamente a desinformação e a manipulação. Quando usadas de forma irresponsável, sublinhou, estas plataformas podem alimentar divisões, destruir reputações e fragilizar a coesão social.

Dirigindo-se à OJM, instou a organização a assumir um papel exemplar no espaço digital, promovendo valores de responsabilidade, solidariedade e unidade. Paralelamente, apelou ao envolvimento ativo dos jovens no combate à violência baseada no género, considerada uma das feridas mais profundas da sociedade moçambicana.

O Estado, garantiu, irá intensificar a luta contra abusos sexuais, casamentos prematuros e feminicídios, incentivando a denúncia e a promoção de relações baseadas no respeito mútuo. Num país ainda marcado por múltiplos desafios, da segurança à inclusão social, a estabilização de Cabo Delgado continua a ser um teste decisivo para o futuro de Moçambique.