Durante vários anos, a utilização da inteligência artificial por grupos extremistas era observada sobretudo através da sua presença nas redes digitais, principalmente em campanhas de propaganda, desinformação e recrutamento.
No entanto, um novo relatório publicado pela Universidade de Cambridge apresenta uma realidade mais ampla, baseada nos testemunhos de antigos membros do Boko Haram e da sua facção associada ao Estado Islâmico na África Ocidental (EIAO).
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Anuncie aqui!A investigação foi conduzida por Antonia Juelich, especialista em terrorismo e tecnologia, que explicou que os antigos combatentes demonstraram inicialmente grande resistência em falar sobre este tema.
Segundo a investigadora, foram necessários vários encontros antes que os entrevistados aceitassem abordar a forma como a organização utilizava estas novas ferramentas digitais.
De acordo com o estudo, os primeiros contactos do Boko Haram com ferramentas de IA generativa começaram em 2023, poucos meses depois do lançamento público do ChatGPT, em novembro de 2022.
Os antigos membros ouvidos pela investigação afirmaram que elementos provenientes de diferentes países, incluindo regiões ligadas ao extremismo no Iraque, Afeganistão e Magrebe, terão participado em formações sobre utilização destas plataformas.
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Anuncie aqui!Uma das áreas abordadas foi a chamada engenharia de comandos (prompt engineering), ou seja, a capacidade de formular perguntas específicas para obter respostas mais eficazes dos sistemas de inteligência artificial.
Posteriormente, algumas facções terão criado pequenas equipas especializadas responsáveis por utilizar estas ferramentas em benefício da organização.
Segundo os testemunhos recolhidos, os membros especializados em IA passaram a receber pedidos internos relacionados com diferentes necessidades operacionais.
Os investigadores indicam que estas ferramentas foram consultadas para compreender equipamentos tecnológicos, analisar informações e melhorar processos de organização interna.
O especialista em terrorismo internacional Graig Klein, da Universidade de Leiden, considera que estes relatos confirmam uma tendência preocupante: a inteligência artificial está a aumentar a capacidade operacional de grupos extremistas.
Para o investigador, estas tecnologias permitem acelerar processos, reduzir dificuldades técnicas e facilitar determinadas tarefas anteriormente mais complexas.
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Anuncie aqui!O estudo destaca que a utilização da IA não está limitada ao Boko Haram, uma vez que outras organizações extremistas poderão procurar explorar ferramentas semelhantes.
Os especialistas explicam que a principal característica destas tecnologias é a sua acessibilidade, tornando possível que diferentes grupos tentem utilizá-las independentemente da sua localização.
A expansão dos modelos de linguagem avançados criou novas possibilidades para utilizadores comuns, mas também abriu novos desafios relacionados com segurança.
As empresas tecnológicas têm desenvolvido mecanismos de protecção, mas os investigadores consideram que estes sistemas ainda precisam de ser reforçados.
Para Graig Klein, os mecanismos de segurança implementados por empresas como a OpenAI e a Anthropic representam um avanço importante, mas continuam a apresentar limitações.
O especialista alerta que determinados utilizadores conseguem encontrar formas de contornar algumas restrições existentes nas plataformas.
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Anuncie aqui!Uma das principais preocupações está relacionada com a possibilidade de grupos terroristas utilizarem a inteligência artificial para aumentar conhecimentos sobre tecnologias perigosas.
Apesar disso, os investigadores sublinham que continuam a existir barreiras importantes, sobretudo devido à dificuldade de acesso a determinados materiais e recursos físicos.
A investigação da Universidade de Cambridge reforça a necessidade de uma cooperação mais estreita entre governos, empresas tecnológicas e especialistas em segurança.
Os autores defendem que a evolução da inteligência artificial deve ser acompanhada por sistemas de prevenção capazes de antecipar novas formas de utilização abusiva.
O objectivo não passa por limitar o desenvolvimento tecnológico, mas garantir que estas ferramentas sejam utilizadas de forma segura e responsável.
Para os especialistas, a batalha contra o extremismo digital será cada vez mais influenciada pela capacidade de compreender e controlar estas novas tecnologias.






