O preço do Brent, principal referência internacional do petróleo, subiu 2% esta terça-feira, depois de uma valorização de 9,6% no dia anterior, atingindo o nível mais elevado das últimas quatro semanas.
A nova escalada reacende os receios sobre o futuro do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica por onde circula uma parte significativa do petróleo e gás natural consumidos no mundo.
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Os contratos futuros do Brent para entrega em setembro chegaram aos 84,91 dólares por barril, o valor mais alto desde 15 de junho.
A subida acontece depois de o mercado ter regressado temporariamente aos níveis anteriores ao conflito, na sequência de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão destinado a reduzir as tensões.
Desde o início da guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, no final de fevereiro, o petróleo acumula agora uma valorização de cerca de 17%, refletindo o aumento da incerteza sobre a segurança do transporte marítimo e a estabilidade do fornecimento energético mundial.
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) anunciou na segunda-feira uma nova série de ataques contra o Irão, afirmando que as operações tinham como objetivo reduzir a capacidade de Teerão de atacar navios comerciais e outros alvos na região do Estreito de Ormuz.
As autoridades iranianas afirmaram, por outro lado, que realizaram ataques contra dois grandes navios petroleiros no estreito e lançaram ataques com mísseis e drones contra posições militares norte-americanas no Kuwait e no Bahrein.
A tensão aumentou ainda mais depois de o Presidente norte-americano Donald Trump anunciar que Washington iria restabelecer um bloqueio aos portos iranianos e cobrar taxas de passagem aos navios que utilizam esta rota marítima.
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Os analistas alertam que o mercado poderá continuar vulnerável enquanto não houver sinais claros de redução da tensão entre os dois países.
“Os mercados do petróleo estão a perder rapidamente a proteção oferecida pelas reservas estratégicas, e uma subida violenta dos preços não pode ser excluída até que exista uma redução da retórica entre as duas partes”, afirmou June Goh, analista sénior da Sparta Commodities, em Singapura.
A referência diz respeito sobretudo às reservas estratégicas de petróleo dos Estados Unidos, utilizadas pelo Governo norte-americano para reduzir o impacto de possíveis interrupções no fornecimento.
A circulação de navios no Estreito de Ormuz caiu significativamente desde o regresso das ameaças contra embarcações comerciais.
Segundo dados da plataforma de monitorização marítima MarineTraffic, apenas 57 passagens de navios foram registadas entre sexta-feira e domingo, uma redução superior a 50% face à semana anterior.
Antes do início dos primeiros ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, no final de fevereiro, cerca de 130 navios atravessavam diariamente esta importante rota marítima.
“O tráfego através de Ormuz está praticamente parado, regressando aos níveis anteriores ao acordo ou até abaixo deles”, afirmou Rory Johnston, fundador da empresa de análise energética Commodity Context.
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Apesar da instabilidade, o mercado petrolífero conseguiu até agora evitar uma crise maior graças às reservas disponíveis em vários países.
No entanto, especialistas alertam que esta margem de segurança está a diminuir.
“O mercado mostrou uma enorme capacidade de resistência durante esta crise, principalmente devido às reservas existentes que ajudaram a limitar o impacto inicial. Infelizmente, grande parte dessa proteção já foi utilizada”, explicou Rory Johnston.
Caso os confrontos continuem e afetem de forma prolongada o transporte marítimo, os preços poderão sofrer uma nova pressão.
A administração norte-americana tem procurado tranquilizar os mercados, garantindo que o Estreito de Ormuz continua aberto ao transporte internacional.
O Departamento de Energia dos Estados Unidos afirmou que 8,5 milhões de barris de petróleo atravessaram o estreito no domingo com apoio das forças militares norte-americanas, mantendo um volume semelhante à média recente.
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“O exército norte-americano garantirá que o petróleo continue a circular, com ou sem o Irão, para manter os mercados devidamente abastecidos”, afirmou o departamento.
Apesar destas garantias, vários especialistas acreditam que os preços podem voltar a subir significativamente caso os riscos de uma redução real da oferta aumentem.
Bart Melek, responsável mundial pela estratégia de matérias-primas da TD Securities, considera que o petróleo poderá atingir os 100 dólares por barril se o mercado perceber que existe uma ameaça concreta de falta de abastecimento.
Para países dependentes das importações energéticas, incluindo várias economias africanas, uma nova subida do petróleo poderá representar um aumento dos custos dos combustíveis e uma pressão adicional sobre os preços dos bens essenciais.






