O alerta foi lançado pela International Rescue Committee (IRC), que identificou vários países da África Oriental e da Ásia como zonas particularmente expostas. Muitas destas regiões ainda recuperam de crises humanitárias anteriores, incluindo conflitos, deslocamentos populacionais e redução do financiamento internacional.
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“Estamos a observar várias emergências a acontecerem ao mesmo tempo, e os locais com menor capacidade para absorver um novo choque são precisamente os que estão na linha da frente”, afirmou Bob Kitchen, responsável pelas operações de emergência da IRC.
Segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, existe uma probabilidade de 81% de que este episódio de El Niño esteja entre os mais fortes registados desde 1950. Os especialistas estimam que o fenómeno deverá atingir o seu pico entre outubro e dezembro.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou no início de julho que as condições associadas ao El Niño já estavam estabelecidas e deverão intensificar-se entre julho e setembro.
O El Niño é um fenómeno climático natural que ocorre normalmente entre cada dois e sete anos. Resulta de uma alteração nas temperaturas do Oceano Pacífico, quando os ventos responsáveis por empurrar as águas quentes para oeste enfraquecem, permitindo que essa energia térmica se espalhe para outras regiões.
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Os seus efeitos fazem-se sentir em diferentes partes do mundo. Algumas zonas registam chuvas acima do normal, enquanto outras enfrentam períodos de seca mais intensos.
Na África Oriental, o fenómeno costuma provocar uma estação intermédia mais seca, seguida por chuvas intensas entre outubro e dezembro. Este ano, os especialistas acreditam que o impacto poderá ser reforçado pelo aquecimento anormal do Oceano Índico.
Na Somália, os primeiros sinais já são visíveis. Fortes chuvas provocaram inundações repetidas em várias zonas da capital, Mogadíscio, afetando comunidades que continuam a enfrentar uma das crises humanitárias mais graves do mundo.
A organização americana de alerta alimentar FEWS NET identificou um risco real de fome no sul da Somália caso as próximas inundações atinjam níveis semelhantes aos registados em 1997 e 2023.
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Nesses períodos, a combinação entre El Niño e o aquecimento do Oceano Índico provocou a destruição de áreas agrícolas, deslocando centenas de milhares de pessoas e agravando a insegurança alimentar.
No Quénia, o serviço meteorológico nacional estima entre 80% e 82% a probabilidade de o fenómeno continuar ativo até ao final do ano. As autoridades já ativaram o plano nacional de resposta a desastres antes do período de chuvas intensas previsto entre outubro e dezembro.
A situação preocupa especialmente as comunidades rurais, onde muitos agricultores ainda recuperam dos efeitos de períodos prolongados de seca que afetaram colheitas e reservas de água.
No Bangladesh, o impacto já provocou perdas humanas. Desde o início de julho, pelo menos 15 refugiados rohingyas morreram e mais de 10 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas devido a deslizamentos de terra e inundações nos campos de refugiados de Cox’s Bazar.
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O Paquistão enfrenta igualmente uma situação complexa. Enquanto algumas regiões podem sofrer com falta de chuva, as zonas montanhosas do norte correm o risco de enfrentar inundações repentinas provocadas pelo degelo acelerado dos glaciares.
A Banco Mundial alertou que um desenvolvimento completo do fenómeno El Niño poderá reduzir entre 20% e 50% a produção de arroz nas regiões mais afetadas da Ásia do Sul e da África Oriental.
A eventual redução da produção agrícola poderá aumentar a pressão sobre os preços dos alimentos e agravar a insegurança alimentar de centenas de milhões de pessoas para quem o arroz representa uma das principais fontes de alimentação.
As organizações humanitárias defendem que a resposta deve começar antes da chegada das consequências mais graves do fenómeno.
A International Rescue Committee e outros grupos internacionais apelam aos governos e aos doadores para financiarem medidas preventivas, incluindo sistemas de alerta precoce, preparação das comunidades e reforço das capacidades locais de resposta.
Para estas organizações, agir antecipadamente poderá reduzir significativamente o impacto humano de uma nova crise climática que ameaça atingir algumas das populações mais vulneráveis do mundo.







