O alerta foi feito durante uma reunião virtual entre chefes de Estado africanos e doadores internacionais realizada no Burundi, onde o África CDC expressou grande preocupação com a evolução da epidemia.
Segundo os dados mais recentes, pelo menos 837 pessoas foram infetadas na República Democrática do Congo (RDC), epicentro do surto, e 196 pessoas já morreram.
No Uganda, país vizinho, foram registados 19 casos e duas mortes, indicando uma expansão regional da doença.
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Jean Kaseya alertou que, se o surto não for travado rapidamente, poderá ultrapassar em gravidade as epidemias anteriores registadas na África Ocidental e na própria RDC.
A referência inclui o surto de 2014–2016 na África Ocidental, que causou mais de 11 000 mortes, e o surto de 2018 na RDC, que matou mais de 2 000 pessoas.
As autoridades de saúde explicam que o vírus do Ébola é altamente contagioso e transmitido através de fluidos corporais, permanecendo perigoso mesmo após a morte dos pacientes.
Existem várias estirpes do vírus, incluindo o Zaire, o Sudão e o Bundibugyo, sendo esta última associada ao atual surto na região oriental da RDC.
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Especialistas alertam que a estirpe Bundibugyo é rara e ainda não possui vacina ou tratamento aprovado, o que limita fortemente a resposta médica.
A ausência de soluções médicas específicas obriga os profissionais de saúde a tratar apenas os sintomas, aumentando o risco de mortalidade.
Outro fator crítico é o contexto de conflito armado na região leste da RDC, onde grupos rebeldes dificultam o acesso das equipas médicas.
A presença de zonas controladas por milícias e campos de deslocados torna o rastreamento de contactos extremamente difícil.
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Segundo responsáveis de saúde, milhares de casos podem ainda não ter sido identificados devido à falta de rastreio eficaz e à desinformação nas comunidades locais.
Em algumas regiões, a desconfiança nas autoridades de saúde tem levado à recusa de tratamento e ao ocultamento de sintomas.
A propagação do vírus é ainda agravada por ataques a centros de saúde e destruição de infraestruturas médicas em áreas afetadas.
Estas ações têm dificultado a resposta humanitária e aumentado o risco de disseminação rápida do vírus.
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A nível internacional, a resposta ao surto é considerada insuficiente face às necessidades financeiras e logísticas identificadas.
As autoridades estimam que apenas uma fração dos recursos necessários foi mobilizada até ao momento.
Especialistas alertam que a situação atual combina três fatores perigosos: ausência de vacina, conflito armado e fraca infraestrutura de saúde.
Esta combinação pode tornar o atual surto no mais devastador já registado na história do Ébola.







