De acordo com o documento consultado pela agência Lusa, Moçambique surge na 10.ª posição do ranking global, num cenário em que a cobertura mediática, o financiamento internacional e o envolvimento político continuam insuficientes para responder à dimensão da crise.
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O NRC sublinha que a situação no país está a deteriorar-se, com a violência em Cabo Delgado a expandir-se em alcance e intensidade desde 2017, incluindo episódios recentes de insegurança nas províncias de Niassa e Nampula.
Segundo o relatório, enquanto o conflito continua a afetar populações civis no norte, as regiões centro e sul enfrentam simultaneamente impactos severos de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e ciclones devastadores.
A organização alerta ainda para o encerramento de escolas em zonas afetadas, sobretudo em Cabo Delgado, o que deixa milhares de crianças e jovens sem acesso à educação e aumenta o risco de vulnerabilidade social.
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O documento sublinha que a falta de educação, estabilidade e oportunidades económicas pode facilitar o recrutamento de jovens por grupos armados e redes criminosas, explorando contextos de fragilidade social.
No plano humanitário, cerca de 1,3 milhões de pessoas necessitam atualmente de assistência no país, enquanto aproximadamente 498,8 mil pessoas permanecem deslocadas internamente, muitas delas obrigadas a fugir repetidamente em busca de segurança e alimentos.
Apesar das necessidades crescentes, o NRC indica que a resposta humanitária em Moçambique foi financiada em apenas 23% em 2025, limitando significativamente a capacidade de assistência às populações afetadas.
O relatório também destaca que o acesso à ajuda se tornou mais difícil devido a estradas inseguras e condições logísticas precárias, dificultando a entrega de apoio essencial em várias regiões.
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A nível global, o estudo revela que o financiamento humanitário caiu para cerca de um terço do necessário em 2025, o nível mais baixo em mais de uma década, refletindo um agravamento generalizado da crise de apoio internacional.
Entre os países mais afetados, o Sudão lidera a lista, seguido por outras crises prolongadas como a da República Democrática do Congo, Colômbia, Iémen, Afeganistão, Honduras, Equador, Camarões e Nigéria.
O NRC destaca ainda que a crise na República Democrática do Congo continua marcada por falta de financiamento e ausência de vontade política consistente para resolver os conflitos.
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Na análise global, a organização conclui que a negligência humanitária não é acidental, mas resulta de decisões políticas e prioridades internacionais, apesar da existência de recursos suficientes para responder às crises identificadas.






