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Vaga de Ataques Xenófobos na África do Sul Força Centenas de Moçambicanos e Outros Estrangeiros a Abandonar as Suas Casas

Centenas de cidadãos de Moçambique, Malawi, Gana e outros países refugiaram-se em centros comunitários após uma nova vaga de violência xenófoba na África do Sul, marcada por ameaças, agressões e deslocações forçadas.

Os incidentes ocorreram principalmente na região costeira do sul da África do Sul, onde grupos de residentes realizaram ações porta a porta exigindo que cidadãos estrangeiros deixassem imediatamente o país. Muitos migrantes afirmam que foram ameaçados independentemente da sua situação legal.

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Entre os refugiados está Thomas Vincent Baloyi, cidadão moçambicano de 32 anos, que vive há 16 anos na África do Sul. Segundo o seu testemunho, os agressores ignoraram o facto de possuir documentação regular e exigiram a sua saída do país apenas por ser estrangeiro.

Hundreds flee as South Africa anti-migrant mobs go door-to-door - France 24

Muitos dos deslocados, sobretudo oriundos de Moçambique e do Malawi, passaram várias noites escondidos em áreas de mato e montanhas antes de encontrarem abrigo em centros comunitários. As vítimas relatam ter abandonado as suas casas às pressas, levando apenas alguns pertences pessoais.

As manifestações contra imigrantes têm ocorrido há várias semanas em diferentes regiões da África do Sul, mas durante o último fim de semana degeneraram em episódios de violência particularmente graves na cidade de Mossel Bay. Mais de cinquenta habitações foram incendiadas durante os confrontos

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De acordo com a polícia sul-africana, pelo menos dois cidadãos moçambicanos perderam a vida durante incidentes relacionados com protestos anti-estrangeiros. Trata-se das primeiras mortes oficialmente confirmadas desde o início desta nova vaga de mobilização contra migrantes.

O Governo de Moçambique indicou que cinco pessoas morreram em acontecimentos diretamente relacionados com ataques xenófobos. No entanto, as autoridades sul-africanas contestam esse número e afirmam que as investigações ainda estão em curso.

A responsável pela coordenação de segurança de Pretória, a general Tebello Mosikili, condenou os atos de violência e afirmou que nenhuma insatisfação social pode justificar homicídios, agressões, intimidações, incêndios criminosos ou ataques motivados pela nacionalidade das vítimas.

Perante o agravamento da situação, cerca de 300 cidadãos moçambicanos regressaram ao país através da fronteira terrestre. Outros governos africanos também iniciaram operações de repatriamento dos seus nacionais que se encontravam em território sul-africano.

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O Gana já organizou voos para repatriar centenas de cidadãos, enquanto o Nigéria anunciou medidas de emergência para retirar os seus nacionais. O Malawi deverá igualmente implementar um plano de assistência e regresso para os seus cidadãos afetados.

Autoridades locais relatam que muitas pessoas foram retiradas à força das suas habitações. Segundo responsáveis municipais, os grupos envolvidos nas ações afirmavam não querer qualquer presença estrangeira nos bairros onde ocorreram os protestos.

Hundreds Flee As South Africa Anti-migrant Mobs Go Door-to-door - Barron's

Equipas no terreno observaram grupos de famílias a abandonarem os bairros durante a noite, transportando os seus bens sob chuva e em condições extremamente difíceis. Algumas vítimas afirmam ter perdido documentos de identificação após agressões físicas.

Em Gansbaai, dezenas de pessoas encontraram abrigo numa pequena mesquita local, onde partilham espaços reduzidos, instalações sanitárias limitadas e recursos básicos fornecidos por voluntários e organizações comunitárias.

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Na localidade costeira de Kleinmond, perto de uma centena de estrangeiros, maioritariamente provenientes do Malawi, está alojada numa sala comunitária onde recebem alimentos, roupas e cobertores oferecidos por moradores solidários.

Segundo testemunhos recolhidos junto das vítimas, alguns grupos percorriam os bairros armados com machetes e outros objetos perigosos à procura de estrangeiros. Muitos refugiados afirmam que regressar aos seus países sem bens materiais é preferível a permanecerem expostos ao risco de morte.

First Ghanaians repatriated from South Africa over anti-immigrant protests - AOL

A nova vaga de xenofobia na África do Sul reacende preocupações sobre a segurança dos trabalhadores migrantes na região. Organizações humanitárias e governos africanos apelam às autoridades sul-africanas para garantirem a proteção das comunidades estrangeiras e evitarem o agravamento da crise.

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