Pela primeira vez desde a criação do seu índice em 2002, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) alerta para uma degradação estrutural da liberdade de imprensa a nível mundial. Segundo o relatório, mais de metade dos países avaliados encontram-se agora em situação “difícil” ou “muito grave”, um marco histórico negativo para o jornalismo global.
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Anuncie aqui!O estudo indica que apenas sete países, todos no norte da Europa, mantêm condições consideradas “boas” para o exercício da profissão. A Noruega lidera o ranking, enquanto a percentagem da população mundial a viver em contextos de verdadeira liberdade de imprensa caiu para menos de 1%.
Nos Estados Unidos, classificados em situação “problemática”, o relatório destaca o aumento de pressões políticas e institucionais sobre os media, incluindo ações contra jornalistas e cortes em meios de comunicação internacionais, num contexto de crescente tensão entre a imprensa e o poder político.
A RSF sublinha que a deterioração não se limita a zonas de conflito, mas também atinge democracias consolidadas, onde se intensificam mecanismos de controlo indireto, como pressões económicas, processos judiciais e legislação restritiva.
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Anuncie aqui!Casos como o do Salvador, da Geórgia e do Níger ilustram quedas acentuadas no ranking, associadas a repressão política, instabilidade e enfraquecimento das instituições democráticas. Na região do Sahel, países como o Mali e o Burkina Faso refletem igualmente uma tendência de agravamento contínuo.
Segundo a diretora editorial da RSF, Anne Bocandé, as formas de repressão evoluíram: além da violência física contra jornalistas, crescem as chamadas “pressões estruturais”, que incluem processos judiciais abusivos, restrições legais e dificuldades económicas impostas aos meios de comunicação.
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Anuncie aqui!O relatório alerta ainda para o aumento global das chamadas ações judiciais estratégicas contra a participação pública, utilizadas para intimidar jornalistas e limitar investigações sobre corrupção, poder político e interesses económicos.
Apesar do cenário negativo, a RSF destaca a existência de iniciativas legislativas, especialmente na Europa, destinadas a reforçar a proteção dos media e limitar abusos judiciais. No entanto, a organização considera que estas medidas ainda são insuficientes face à escala global da crise.
No seu conjunto, o relatório conclui que a liberdade de imprensa está a sofrer uma erosão contínua e estrutural, levantando sérias preocupações sobre o futuro do jornalismo e o direito à informação em todo o mundo.






