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Liberdade de imprensa atinge nível mais baixo em 25 anos, alerta relatório da RSF

Relatório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) revela deterioração sem precedentes, com mais de metade dos países em situação “difícil” ou “muito grave”

Pela primeira vez desde a criação do seu índice em 2002, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) alerta para uma degradação estrutural da liberdade de imprensa a nível mundial. Segundo o relatório, mais de metade dos países avaliados encontram-se agora em situação “difícil” ou “muito grave”, um marco histórico negativo para o jornalismo global.

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O estudo indica que apenas sete países, todos no norte da Europa, mantêm condições consideradas “boas” para o exercício da profissão. A Noruega lidera o ranking, enquanto a percentagem da população mundial a viver em contextos de verdadeira liberdade de imprensa caiu para menos de 1%.

Nos Estados Unidos, classificados em situação “problemática”, o relatório destaca o aumento de pressões políticas e institucionais sobre os media, incluindo ações contra jornalistas e cortes em meios de comunicação internacionais, num contexto de crescente tensão entre a imprensa e o poder político.

The Trump Arraignment Media Circus Is Underway | Vanity Fair

A RSF sublinha que a deterioração não se limita a zonas de conflito, mas também atinge democracias consolidadas, onde se intensificam mecanismos de controlo indireto, como pressões económicas, processos judiciais e legislação restritiva.

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Casos como o do Salvador, da Geórgia e do Níger ilustram quedas acentuadas no ranking, associadas a repressão política, instabilidade e enfraquecimento das instituições democráticas. Na região do Sahel, países como o Mali e o Burkina Faso refletem igualmente uma tendência de agravamento contínuo.

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Segundo a diretora editorial da RSF, Anne Bocandé, as formas de repressão evoluíram: além da violência física contra jornalistas, crescem as chamadas “pressões estruturais”, que incluem processos judiciais abusivos, restrições legais e dificuldades económicas impostas aos meios de comunicação.

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O relatório alerta ainda para o aumento global das chamadas ações judiciais estratégicas contra a participação pública, utilizadas para intimidar jornalistas e limitar investigações sobre corrupção, poder político e interesses económicos.

Freiheit des Wortes gilt für rechte und linke Journalisten

Apesar do cenário negativo, a RSF destaca a existência de iniciativas legislativas, especialmente na Europa, destinadas a reforçar a proteção dos media e limitar abusos judiciais. No entanto, a organização considera que estas medidas ainda são insuficientes face à escala global da crise.

No seu conjunto, o relatório conclui que a liberdade de imprensa está a sofrer uma erosão contínua e estrutural, levantando sérias preocupações sobre o futuro do jornalismo e o direito à informação em todo o mundo.

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