A situação de segurança no Mali agravou-se significativamente nos últimos dias, com ofensivas simultâneas dos rebeldes tuaregues e de grupos jihadistas a colocarem o regime de Assimi Goïta sob forte pressão. Neste contexto, o porta-voz do movimento independentista, Mohamed Elmaouloud Ramadane, afirmou que a junta militar “vai cair mais cedo ou mais tarde”.
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Anuncie aqui!Segundo o responsável, a estratégia passa por uma ofensiva combinada: o FLA procura retomar o controlo do Azawad, enquanto grupos ligados ao JNIM intensificam ataques contra Bamako e outras cidades estratégicas. Esta dupla pressão poderá comprometer a capacidade de resistência do regime.
Os rebeldes afirmam já ter “libertado” Kidal e controlado Taoudénit, apontando agora para cidades como Gao, Tombuctu e Ménaka como próximos alvos. Paralelamente, defendem o afastamento da Rússia, aliada militar chave do governo maliano.
Do lado do poder, Assimi Goïta reapareceu após vários dias de silêncio, visitando militares feridos em Bamako e tentando transmitir controlo da situação. Numa comunicação oficial, afirmou que as forças armadas conseguiram travar os ataques e que a situação está “controlada”, destacando a coordenação e eficácia militar.
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Anuncie aqui!Contudo, este discurso surge num momento de extrema fragilidade, marcado pela morte do ministro da Defesa, Sadio Camara, vítima de um ataque com carro-bomba. Considerado uma figura central do regime e do alinhamento com a Rússia, a sua morte representa uma perda estratégica significativa.
As suas exéquias, previstas sob forte dispositivo de segurança, simbolizam a gravidade da crise e o nível de ameaça que persiste no país. O governo decretou dois dias de luto nacional, enquanto tenta manter a coesão interna e a confiança das forças armadas.
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Anuncie aqui!Informações indicam ainda que alguns elementos russos poderão ter recuado de determinadas zonas de combate, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade do apoio externo num momento decisivo.
Apesar das garantias oficiais, a realidade no terreno permanece volátil. As operações militares continuam, mas a multiplicação de frentes e a coordenação entre grupos armados aumentam o risco de desestabilização prolongada.
No seu conjunto, o Mali enfrenta uma crise multidimensional, onde se cruzam ambições territoriais, jihadismo e interesses internacionais. O desfecho permanece incerto, mas os sinais apontam para um período de elevada instabilidade no país e na região do Sahel.






