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Compreender a crise energética na Ásia e seus impactos em Moçambique, na África e no mundo

Com escassez brutal de combustíveis e dependência do petróleo do Golfo, nações asiáticas recorrem a trocas energéticas, emergências nacionais e alternativas inesperadas enquanto cadeias de abastecimento oscilam.

A visita do presidente indonésio Prabowo Subianto ao Japão esta semana é o exemplo mais recente da multiplicação, em toda a Ásia, de acordos improvisados para enfrentar as brutais penúrias de combustível provocadas pelo conflito no Médio Oriente, que tem bloqueado rotas vitais de petróleo e gás, pressionando economias dependentes de importações externas.

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A corrida por alternativas energéticas intensificou‑se desde que a China — segunda maior economia mundial — impôs restrições às exportações de combustíveis refinados, enquanto países como Coreia do Sul e Tailândia tentam aproveitar a suspensão temporária de sanções dos EUA sobre energia russa para suprir necessidades imediatas.

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A situação atingiu um ponto crítico para as nações mais vulneráveis da região: as Filipinas declararam estado de emergência energética, o Sri Lanka reduziu a semana de trabalho para quatro dias com racionamento de combustível, e Mianmar implementou restrições de circulação automóvel em dias alternados. Mesmo a Indonésia, maior economia do Sudeste Asiático e quarto país mais populoso do mundo, prepara‑se para anunciar restrições internas nos próximos dias para proteger seus estoques de combustível.

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Durante sua estadia em Tóquio, Prabowo Subianto destacou a importância de “manter relações económicas racionais” ao assinar acordos para projetos de longo prazo em petróleo, gás e energia geotérmica com autoridades japonesas, numa tentativa de fortalecer a segurança energética regional.

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O governo de Jacarta também considera fechar um acordo para reforçar o fornecimento de GNL (gás natural liquefeito) ao Japão em troca de GPL (gás de petróleo liquefeito), essencial para uso doméstico nos países asiáticos, de acordo com o chefe do regulador indonésio de petróleo e gás.

Enquanto isso, a estatal japonesa Inpex está em negociações semelhantes com a Índia, trocando GPL por nafta e petróleo bruto — uma estratégia que reflete a urgência com que países consumidores tentam diversificar suas importações diante da crise.

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O Vietnã, particularmente afetado pelas proibições de exportação de combustíveis imposta por China e Tailândia, solicitou ajuda do Japão para suprir suas necessidades energéticas, e as Filipinas confirmaram o recebimento de diesel de Tóquio no início desta semana.

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A dependência do Japão de cerca de 95% do petróleo proveniente do Médio Oriente e 11% do seu GNL coloca o país numa posição estratégica, com as autoridades a insistirem na importância de manter um fluxo contínuo de combustível para os países do Sudeste Asiático onde têm cadeias de abastecimento significativas, ainda que detalhes sobre acordos permaneçam reservados.

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A corrida por combustíveis alternativos estendeu‑se também a negociações com a Rússia, após os EUA terem concedido uma derrogação temporária às sanções, abrindo portas para que países como Coreia do Sul, Índia, Bangladesh, Tailândia e Sri Lanka intensificassem compras de petróleo russo, embora a urgência de fechar contratos antes do término dessa derrogação adicione uma camada de incerteza ao cenário.

Big Oil to reap billions from Iran war windfall after a month of soaring  energy prices | Reuters

Mesmo países menores como a Nova Zelândia sentem‑se na iminência de serem deixados de fora da disputa pelo combustível, levando o seu primeiro‑ministro a dialogar com fornecedores principais na região e com representantes da Comissão Europeia, numa tentativa de garantir suprimentos antes que a crise se agrave ainda mais.

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À medida que o conflito no Médio Oriente persiste e as rotas energéticas permanecem fragmentadas, a Ásia intensifica negociações bilaterais e improvisa mecanismos para evitar um colapso mais amplo em seus sistemas de abastecimento energético, revelando a profunda vulnerabilidade de uma região fortemente dependente de importações externas num contexto de instabilidade geopolítica global.