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Papa Leão XIV em visita histórica à Argélia apela ao “perdão” num contexto de tensões franco-argelinas

Durante uma deslocação marcada pela memória da guerra de independência e pelas atuais fricções diplomáticas com Paris, o soberano pontífice defendeu a reconciliação e alertou contra a herança do ressentimento entre gerações

Na sua chegada à Argélia, na segunda-feira, o Papa Papa Leão XIV iniciou uma visita considerada histórica com uma mensagem centrada no perdão e na reconciliação, proferida diante do Memorial do Mártir, em Argel, onde são homenageados os mortos da guerra de independência contra a França.

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Visivelmente emocionado, o pontífice depositou uma coroa de rosas brancas no monumento antes de permanecer em silêncio em homenagem às vítimas. O gesto marcou o início de uma deslocação carregada de simbolismo político e histórico.

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No seu discurso, o Papa sublinhou que “a paz que permite olhar o futuro com espírito reconciliado só é possível através do perdão”, acrescentando que a verdadeira libertação só se completa quando “a paz dos corações é conquistada”.

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Reconhecendo a dificuldade do perdão, apelou a que não se perpetuem ressentimentos entre gerações, sobretudo num mundo onde os conflitos continuam a multiplicar-se.

A visita decorre num contexto diplomático sensível entre França e a Argélia, marcado por expulsões diplomáticas e tensões relacionadas com detenções e processos judiciais envolvendo cidadãos dos dois países.

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O Papa destacou ainda a história da Argélia como “rica em tradições, mas também marcada por períodos dolorosos”, referindo-se à colonização francesa iniciada em 1830 e à guerra de independência (1954-1962), que deixou profundas cicatrizes na memória coletiva do país.

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Segundo estimativas históricas divergentes, o conflito terá causado centenas de milhares de mortos, alimentando até hoje debates intensos entre historiadores franceses e argelinos.

O pontífice evocou também a necessidade de transformar a memória em instrumento de paz, insistindo na importância de uma justiça que não reabra feridas, mas que permita a construção de um futuro comum.

Depois da cerimónia no Memorial, o Papa reuniu-se com o presidente argelino Abdelmadjid Tebboune, antes de se deslocar à Grande Mesquita de Argel, onde voltou a defender uma cultura de diálogo, justiça e solidariedade entre os povos.

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Num segundo discurso, apelou ainda a uma ordem internacional mais justa, criticando “violações constantes do direito internacional” e alertando contra novas formas de dominação e colonialismo.

Durante a visita, o Papa dirigiu também uma mensagem às autoridades políticas, pedindo que promovam uma sociedade civil inclusiva e que o poder seja exercido como serviço ao povo, e não como dominação.

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Ao longo do dia, o pontífice encontrou-se igualmente com fiéis na Basílica de Nossa Senhora de África, onde prestou homenagem a religiosos assassinados durante a “década negra” dos anos 1990, período de guerra civil na Argélia.

A visita prossegue hoje com uma deslocação a Annaba, no leste do país, região associada à figura de Santo Agostinho, referência espiritual central na mensagem do Papa durante esta viagem.