As autoridades judiciais realizaram buscas na sede do Partido Socialista em Madrid no âmbito de uma investigação sobre alegada utilização indevida de fundos partidários. Os investigadores suspeitam que recursos do partido tenham sido utilizados para financiar campanhas destinadas a desacreditar processos judiciais envolvendo membros do governo e aliados políticos.
O líder da oposição conservadora, Alberto Núñez Feijóo, declarou que o governo atravessa os seus “últimos momentos políticos” e exigiu a demissão imediata de Pedro Sánchez, bem como a convocação de eleições antecipadas.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!Grande parte da atenção concentra-se no antigo primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, acusado de liderar uma alegada rede de influência relacionada com um resgate financeiro de 53 milhões de euros concedido à companhia aérea Plus Ultra durante a pandemia.
Segundo os investigadores, Zapatero terá utilizado a sua influência política para facilitar o apoio estatal à companhia aérea, sendo suspeito de beneficiar financeiramente do processo. O ex-primeiro-ministro nega qualquer irregularidade e afirma ser vítima de acusações politicamente motivadas.
Embora Zapatero já não faça parte do governo, ele continua a ser um dos aliados mais próximos de Pedro Sánchez e desempenhou um papel importante nas negociações com partidos regionais bascos e catalães. A proximidade política entre ambos aumentou o impacto do caso sobre o atual executivo espanhol.
Pedro Sánchez declarou apoio público ao antigo líder socialista e garantiu “total respeito pela presunção de inocência”, reafirmando igualmente a colaboração do governo com o sistema judicial espanhol.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!Outro caso que enfraquece o governo envolve Santos Cerdán, antigo dirigente socialista e aliado próximo de Sánchez, investigado por alegados esquemas de comissões ilegais ligados a contratos públicos. O antigo ministro dos Transportes, José Luis Ábalos, também surge associado às investigações.
As suspeitas incluem contratos públicos relacionados com a compra de máscaras durante a pandemia da Covid-19, envolvendo milhões de euros. Tanto Cerdán como Ábalos negam participação em qualquer esquema ilegal.
Além dos escândalos políticos, membros da família de Pedro Sánchez também enfrentam investigações judiciais. A esposa do primeiro-ministro, Begoña Gómez, é alvo de várias averiguações relacionadas com alegadas irregularidades profissionais e empresariais. O irmão do chefe do governo, David Sánchez, está igualmente a ser julgado por alegado tráfico de influências.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!Pedro Sánchez considera estes processos uma tentativa de perseguição política e classificou parte das acusações como uma “farsa obscena”.
A pressão política aumentou ainda mais após derrotas eleitorais regionais sofridas pelo Partido Socialista em várias regiões espanholas, incluindo a Andaluzia, tradicional bastião da esquerda espanhola. As sondagens indicam atualmente vantagem do Partido Popular, que poderá formar maioria parlamentar com o partido de extrema-direita Vox.
Apesar das dificuldades, Pedro Sánchez insiste que pretende cumprir o mandato até 2027. No entanto, o avanço das investigações e a crescente instabilidade da coligação poderão forçar eleições antecipadas nos próximos meses.





