O Departamento de Estado dos Estados Unidos considera suspender a ajuda vital à população com HIV em Zâmbia como parte de uma estratégia de negociação para garantir maior acesso aos recursos minerais do país, segundo um rascunho de memorando obtido pelo New York Times.
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Teste GratuitoCerca de 1,3 milhão de zambianos dependem diariamente do tratamento fornecido pelo PEPFAR e de medicamentos contra tuberculose e malária. A intenção de cortar assistência já em maio, caso Zâmbia não aceite um acordo sobre minerais, representa uma ameaça direta à vida e saúde de milhares de pessoas.
O memorando propõe três condições:
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Um compromisso de gasto adicional em saúde de $340 milhões por parte do governo zambiano, menos da metade do valor recebido anteriormente.
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Um acordo para dar acesso a empresas americanas aos depósitos minerais do país, reduzindo a influência chinesa.
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Renegociação de contratos com a Millennium Challenge Corporation, exigindo reformas regulatórias em mineração e setores estratégicos.
Se Zâmbia não aceitar todas as condições até maio, a ajuda médica essencial estaria em risco. A estratégia de “usar a pressão sobre assistência humanitária” levanta sérias questões éticas, considerando o impacto direto sobre a população dependente do PEPFAR.
Embora Zâmbia possua riquezas minerais significativas, a presença de empresas americanas é limitada e a corrupção permanece elevada, com processos de licenciamento complexos e propinas de empresas chinesas sendo uma prática recorrente.
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Anuncie aqui!Organizações de transparência e direitos humanos alertam para a cláusula do acordo que exigiria compartilhamento de dados de saúde dos cidadãos por 10 anos e de amostras biológicas coletadas por 25 anos, enquanto a ajuda financeira cobre apenas cinco. A falta de garantias de acesso aos resultados da pesquisa aumenta as preocupações sobre soberania e ética.
Para cidadãos como Julius Kachidza, defensor de pessoas vivendo com HIV, a ameaça de corte abrupto é alarmante: “Se este acordo não for assinado, se o financiamento não estiver disponível pelos próximos cinco anos, o governo não terá capacidade de responder ao impacto imediato. Seria um desastre.”
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Teste GratuitoO rascunho sugere que os EUA usam a ajuda como “stick” para demonstrar sua seriedade na política externa “America First”, enviando uma mensagem a outros países sobre a necessidade de cooperação e benefícios tangíveis.
A situação evidencia a tensão entre interesses geopolíticos e humanitários: enquanto os EUA buscam garantir acesso a recursos estratégicos, milhões de zambianos dependem de assistência vital que pode ser cortada abruptamente, levantando dilemas sobre ética, soberania e direitos humanos.







