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Moçambique/Sociedade: Moçambique enfrenta fim de semana crítico entre cólera, insegurança armada e cheias devastadoras

Cólera em expansão, deslocações forçadas em Cabo Delgado e cheias que já afetam mais de 723 mil pessoas agravam o contexto nacional

Moçambique entra no fim de semana confrontado com um quadro particularmente delicado, marcado pela progressão do surto de cólera, pela intensificação da insegurança armada no norte do país e pelos efeitos devastadores das cheias de janeiro, que continuam a afetar centenas de milhares de pessoas.

De acordo com o último boletim da Direção Nacional de Saúde Pública, referente ao período de 03 de setembro a 30 de janeiro, foram registados 3.725 casos de cólera em todo o país, resultando em 55 mortes. A província de Nampula contabiliza 1.621 casos e 21 óbitos, enquanto Tete soma 1.481 infeções e 28 mortes. Em Cabo Delgado, foram notificados 566 casos, com seis óbitos associados.

Nas 24 horas anteriores a 30 de janeiro, as autoridades de saúde reportaram 95 novos casos e seis mortes, fazendo subir a taxa de letalidade nacional para 1,5%. O epicentro do surto permanece na província de Tete, onde a taxa de letalidade atinge 1,9%, com transmissão ativa nos distritos de Marara, Tsangano, Moatize, Changara, Cahora Bassa e Tete, bem como em Morrumbala, na província vizinha da Zambézia.

Em Cabo Delgado, a situação agravou-se com o registo de cinco das seis mortes por cólera num único dia, tendo sido declarados novos surtos nos distritos de Mecufi e Montepuez, além de Pemba e Metuge. O ministro da Saúde, Ussene Isse, revelou recentemente que 169 pessoas morreram de cólera em 2025, num total de cerca de 40 mil casos, alertando que cerca de 70% dos óbitos ocorreram nas comunidades, o que evidencia sérias falhas ao nível da informação e prevenção sanitária.

Paralelamente à crise de saúde pública, a insegurança em Cabo Delgado continua a provocar deslocações internas, sobretudo entre comunidades camponesas. Agricultores de zonas como Mahate, Tandanhangue, Quissanga, Walopwana, Pulo, Sauli, Nampipi e Metuge abandonaram as suas machambas devido à circulação de supostos insurgentes. “Fugimos porque o movimento é intenso. Os terroristas estão a passar nas nossas machambas”, relatou um camponês em fuga a partir de Walopwana.

O abandono ocorre num momento crucial de colheita, agravando o risco de insegurança alimentar. Segundo a organização ACLED, entre 12 e 25 de janeiro, registaram-se seis eventos violentos na província, com três mortos, elevando para 6.432 o número total de óbitos desde o início da insurgência armada em 2017. O relatório destaca ainda um raro ataque com morteiros contra posições ruandesas em Macomia, sublinhando a crescente complexidade do conflito no norte do país.

Ao mesmo tempo, o país enfrenta uma grave crise humanitária provocada pelas cheias. Dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que 723.289 pessoas foram afetadas, com 22 mortes confirmadas. Desde 07 de janeiro, registaram-se ainda 45 feridos, nove desaparecidos e milhares de habitações destruídas ou inundadas.

Desde o início da época chuvosa, em outubro, o número total de pessoas afetadas sobe para 844.295, com 146 mortos. Estão ativos 92 centros de acomodação, acolhendo 91.023 deslocados, enquanto 229 unidades sanitárias, 341 escolas, quatro pontes e mais de 1.400 quilómetros de estradas sofreram danos. O setor agrícola foi duramente atingido, com 451.571 hectares afetados, dos quais 275.765 considerados perdidos, impactando diretamente 332.863 agricultores.

Face à dimensão da crise, vários parceiros internacionais, incluindo a União Europeia, Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Noruega e Japão, já anunciaram apoio humanitário de emergência.

Entre doenças evitáveis, violência persistente e fenómenos climáticos extremos, Moçambique enfrenta um fim de semana marcado por múltiplos desafios, exigindo respostas coordenadas e urgentes para mitigar os impactos sobre as populações mais vulneráveis.

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