A polícia sul-africana anunciou que os dois cidadãos moçambicanos foram mortos no sábado e que as investigações continuam em curso.
Embora o Governo moçambicano tenha associado as mortes a alegados ataques xenófobos, as autoridades sul-africanas afirmam que ainda não determinaram oficialmente o motivo dos crimes.
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Num comunicado divulgado na terça-feira, a polícia declarou que pretendia “esclarecer os factos” em torno dos acontecimentos que têm gerado preocupação tanto em Moçambique como noutros países da região.
Até ao momento, não foram divulgados detalhes adicionais sobre os suspeitos ou as circunstâncias exatas das mortes.
Os incidentes ocorreram após uma onda de violência registada na província do Cabo Ocidental, onde mais de 50 barracas foram incendiadas durante distúrbios ocorridos na localidade de KwaNonqaba.
As autoridades confirmaram a detenção de cinco pessoas suspeitas de envolvimento nos atos de incêndio criminoso.
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Entre os afetados encontra-se a cidadã moçambicana Dolinda Mabunda, que relatou à imprensa local que a sua família ainda estava dentro de casa quando o fogo começou.
Segundo o testemunho, moradores foram ameaçados e obrigados a abandonar rapidamente as suas residências para evitar agressões.
O Governo de Moçambique afirma que cerca de 800 cidadãos moçambicanos foram afetados pelos acontecimentos ocorridos na sexta-feira.
As autoridades indicaram ainda que aproximadamente 300 pessoas regressaram ao país durante o fim de semana, enquanto centenas de outras aguardavam condições para deixar o território sul-africano.
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Durante o processo de regresso, duas pessoas perderam a vida num acidente rodoviário, segundo informações divulgadas pelas autoridades moçambicanas.
Maputo alertou ainda para a possibilidade de agravamento da situação caso a tensão social continue a aumentar nas próximas semanas.
Nos últimos meses, diversos grupos sul-africanos têm realizado manifestações exigindo medidas mais rigorosas contra a imigração irregular.
Os manifestantes acusam imigrantes sem documentação de pressionarem serviços públicos e de contribuírem para o aumento da criminalidade, reivindicações que continuam a alimentar sentimentos anti-imigração em várias regiões do país.
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A situação levou vários governos africanos a emitirem alertas aos seus cidadãos.
Países como Quénia, Malawi, Lesoto e Zimbabwe recomendaram vigilância acrescida aos nacionais residentes ou em viagem para a África do Sul.
Recentemente, o Gana organizou a retirada de centenas de cidadãos devido às preocupações relacionadas com a segurança.
Entretanto, o Governo sul-africano condenou publicamente atos criminosos dirigidos contra estrangeiros, embora as autoridades policiais não tenham confirmado oficialmente uma campanha coordenada de ataques xenófobos.
De acordo com dados oficiais, a África do Sul acolhe mais de três milhões de estrangeiros, o equivalente a cerca de 5% da população nacional.
Especialistas acreditam, contudo, que o número real poderá ser significativamente superior devido à presença de imigrantes sem documentação regularizada.
A crescente pressão política ocorre num ano eleitoral importante para a África do Sul.
O grupo de protesto March and March estabeleceu um prazo informal até 30 de junho para que imigrantes sem documentos deixem o país, enquanto manifestações continuam a ocorrer em diversas localidades.
A xenofobia permanece um dos desafios sociais mais persistentes da África do Sul desde o fim do apartheid.
Ao longo das últimas décadas, episódios esporádicos de violência contra estrangeiros provocaram mortes, deslocações forçadas e tensões diplomáticas com vários países africanos, incluindo Moçambique.






