Numa crónica publicada no jornal espanhol El Debate, Mariano Rajoy afirmou que a França possui uma equipa de elevado nível, mas acrescentou que seria uma seleção “sem franceses”, uma declaração que rapidamente gerou críticas em vários setores políticos franceses.
A Embaixada de França em Espanha respondeu através da rede social X, recordando que todos os jogadores da equipa nacional francesa são cidadãos franceses. A representação diplomática destacou ainda que, dos 26 jogadores convocados, 23 nasceram em França e os restantes três também possuem nacionalidade francesa.
“O que importa recordar é que todos os jogadores da equipa de França são franceses”, afirmou a embaixada, rejeitando interpretações baseadas em critérios étnicos ou de origem.
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O líder do Partido Socialista francês, Olivier Faure, criticou duramente as declarações, afirmando que a França não é definida por origem, cor da pele ou religião, mas por uma identidade política baseada nos valores republicanos.
Outros responsáveis políticos franceses também reagiram. O dirigente do Partido Comunista Francês, Fabien Roussel, classificou os comentários como ofensivos e acusou alguns setores de tentarem associar a seleção francesa a discursos discriminatórios.
No Governo francês, a ministra dos Ultramarinos, Naïma Moutchou, afirmou que este tipo de polémica reaparece sempre após grandes vitórias dos Bleus, defendendo que a Federação Francesa de Futebol avalie possíveis medidas legais.
A polémica surge num momento em que França e Espanha se preparam para se reencontrar numa meia-final do Mundial 2026, o primeiro duelo entre as duas seleções numa fase final de um Campeonato do Mundo desde 2006.
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Desde a vitória francesa por 3-1 nos oitavos de final daquele torneio, com protagonismo de Zinédine Zidane e Franck Ribéry, o equilíbrio entre as duas equipas mudou significativamente. Nos últimos 20 anos, a Espanha tornou-se o adversário que mais vezes derrotou a França, com sete vitórias em dez confrontos.
Apesar do favoritismo atribuído aos franceses, o jovem espanhol Lamine Yamal rejeitou colocar a Espanha numa posição inferior. O jogador do Barcelona lembrou que a seleção espanhola venceu os dois últimos confrontos frente à França e afirmou que a equipa não teme o adversário.
A Espanha eliminou a França nas meias-finais do Euro 2024, numa partida em que controlou grande parte do jogo e venceu por 2-1, deixando uma imagem de superioridade coletiva.
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No encontro mais recente, referente à Liga das Nações, os espanhóis voltaram a impor dificuldades, vencendo por 5-4 após uma recuperação francesa nos minutos finais.
Para este novo confronto, a seleção francesa apresenta um cenário diferente. O treinador Didier Deschamps poderá contar com uma linha defensiva mais sólida, liderada pela dupla Dayot Upamecano e William Saliba, que tem demonstrado grande consistência durante a fase eliminatória.
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A equipa francesa chega também com maior confiança coletiva, depois de exibições convincentes frente a adversários como Marrocos e Paraguai.
Segundo Deschamps, apesar da ambição francesa em conquistar o título mundial, a Espanha continua a ser uma das principais favoritas da competição.
A Roja, por outro lado, já não demonstra a mesma superioridade apresentada no Euro 2024. A equipa orientada por Luis de la Fuente teve dificuldades em alguns momentos da competição, precisando de golos nos minutos finais para ultrapassar adversários como Portugal e Bélgica.
Apesar de continuar a apresentar uma elevada posse de bola, cerca de 66% na fase final do torneio, a Espanha tem revelado algumas dificuldades na transformação desse domínio em oportunidades claras de golo.
Mesmo assim, Didier Deschamps mantém o respeito pelo adversário e considera a Espanha uma equipa de enorme qualidade. A França procura agora evitar uma terceira eliminação consecutiva frente aos espanhóis e garantir presença na final do Mundial 2026.





