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Moçambique sob pressão energética e cresce o risco de subida dos preços

Entre rotas alternativas, atrasos logísticos e tensão no Médio Oriente, autoridades pedem calma enquanto cresce o risco de subida dos preços.

A Importadora Moçambicana de Petróleos (IMOPETRO) procurou esta semana conter os receios em torno de uma eventual escassez de combustíveis, garantindo que, até ao momento, não há ruptura no abastecimento nos quatro terminais oceânicos do país. A mensagem, no entanto, surge num contexto de crescente incerteza, marcado pelo impacto do conflito no Médio Oriente sobre as cadeias globais de energia.

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Falando em Maputo, durante o programa “Café da Manhã” da Rádio Moçambique, a directora de Operações da IMOPETRO, Abida Patel, explicou que o país deixou de importar combustíveis a partir do Médio Oriente, na sequência do bloqueio do Estreito de Ormuz — um dos principais corredores estratégicos do comércio petrolífero mundial. Em resposta, Moçambique passou a recorrer a mercados alternativos, com destaque para a Índia, numa tentativa de manter o fluxo de abastecimento.

Grande parte do combustível vinha do Médio Oriente, mas, devido ao bloqueio, tivemos de ajustar as rotas e procurar outras origens”, afirmou.

Apesar dessas adaptações, os constrangimentos começam a tornar-se visíveis. Os navios continuam a chegar, mas os prazos de transporte alongaram-se significativamente, passando de cerca de 15 dias para até 25 dias, o que introduz maior pressão sobre a gestão dos stocks.

Maputo sem combustível e com filas intermináveis – Observador

Perante este cenário, a responsável apelou à calma, desencorajando comportamentos de corrida aos postos de abastecimento. “Não há razões para pânico neste momento, mas é importante evitar o açambarcamento”, sublinhou, numa tentativa de travar a propagação de receios que poderiam, por si só, agravar a situação.

Ainda assim, a própria IMOPETRO reconhece que o sistema está sob pressão. A possibilidade de atrasos pontuais na chegada de navios é real e, embora não se traduza, para já, numa ruptura, expõe a vulnerabilidade de um país fortemente dependente das importações energéticas.

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O impacto mais imediato poderá fazer-se sentir nos custos. A reconfiguração das rotas, associada ao aumento do tempo de transporte, está a elevar a factura de importação, criando pressão financeira sobre as empresas do sector e abrindo caminho a eventuais ajustamentos de preços.

Os custos aumentaram e exigem maior liquidez, o que poderá ter repercussões”, admitiu Patel.

No plano político, o Presidente da República, Daniel Chapo, reforçou o tom de cautela. Durante uma intervenção na província de Gaza, o chefe de Estado alertou que, caso o conflito entre Irão, Israel e Estados Unidos se prolongue, a subida dos preços dos combustíveis em Moçambique será difícil de evitar, com efeitos diretos no custo de vida.

“Mais cedo ou mais tarde, os novos preços vão chegar ao nosso país. É um desafio global”, afirmou, sublinhando a interdependência dos mercados energéticos.

Numa leitura que amplia o alcance da crise, o Presidente comparou o momento atual à pandemia da Covid-19, evocando a necessidade de acompanhamento constante e de comunicação clara por parte das autoridades. O Governo, assegurou, continuará a atualizar a situação para evitar desinformação e reações desproporcionadas.

Ao mesmo tempo, Chapo destacou o papel da comunicação social na gestão de crises e apelou a uma resposta interna mais robusta. Num contexto de incerteza externa, defendeu o reforço da produção nacional como forma de aumentar a resiliência económica.

Esta guerra afecta todo o mundo, e Moçambique faz parte dele”, concluiu.

Num equilíbrio delicado entre controlo e vulnerabilidade, o país mantém, por agora, o abastecimento funcional — mas cada vez mais dependente de variáveis externas que escapam ao seu controlo. A ausência de ruptura não dissipa a incerteza; apenas adia as suas consequências.

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