A revelação surgiu após uma investigação interna da própria organização, que identificou casos de exploração sexual ocorridos em campos de refugiados no leste do Chade desde 2024.
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Segundo a MSF, algumas das vítimas eram raparigas menores de idade e, em vários casos, alimentos, emprego ou outros benefícios humanitários teriam sido oferecidos em troca de relações sexuais.
A organização confirmou o despedimento de 18 funcionários, mas admitiu que nem todos os alegados responsáveis puderam ser identificados.

O relatório interno também aponta para padrões de comportamento que podem configurar tráfico sexual, um dos aspetos mais graves identificados durante a investigação.
Além disso, várias vítimas terão optado por não denunciar os abusos por receio de perder o acesso à assistência alimentar, médica ou social da qual dependiam para sobreviver.
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O caso ocorre num contexto particularmente sensível. A guerra civil no Sudão, iniciada em 2023, é atualmente considerada uma das piores crises humanitárias do mundo.
Milhões de pessoas foram deslocadas das suas casas, enquanto dezenas de milhões enfrentam insegurança alimentar severa e dependem da ajuda internacional para sobreviver.
Contudo, o escândalo da MSF não é um caso isolado. Nos últimos anos, diversas organizações humanitárias internacionais enfrentaram acusações semelhantes em diferentes regiões do mundo.
Em 2018, a organização britânica Oxfam foi alvo de um dos maiores escândalos do setor, após revelações de que funcionários tinham recorrido a prostitutas durante uma missão humanitária no Haiti, incluindo alegações envolvendo mulheres vulneráveis após o devastador terramoto de 2010.
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Também as Nações Unidas enfrentaram repetidas denúncias de exploração sexual por parte de membros de missões de paz em países como a República Centro-Africana, República Democrática do Congo e Haiti.
Em vários desses casos, mulheres e crianças foram alegadamente exploradas por indivíduos que deveriam garantir a sua proteção.
Mais recentemente, organizações internacionais que atuam em zonas de conflito na Síria, Sudão do Sul e República Democrática do Congo enfrentaram denúncias relacionadas com assédio sexual, abuso de poder e exploração de beneficiários da ajuda.
As investigações revelaram um padrão recorrente: populações extremamente vulneráveis tornam-se dependentes de estruturas onde existe um forte desequilíbrio de poder entre quem presta assistência e quem a recebe.
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Especialistas em direitos humanos alertam que estes casos não representam apenas falhas individuais, mas também problemas estruturais na supervisão das operações humanitárias.
A combinação entre ambientes de crise, falta de fiscalização adequada e populações em situação desesperada cria condições propícias para abusos, sobretudo quando os mecanismos de denúncia são frágeis ou ineficazes.
No caso da MSF, a própria organização reconheceu que algumas vítimas não receberam acompanhamento adequado após denunciarem os abusos e que os sistemas internos de queixa apresentaram falhas significativas.
A instituição afirma estar a implementar novas medidas de prevenção, reforçando mecanismos de proteção, investigação e apoio às vítimas.
O escândalo reacende um debate mais amplo sobre a responsabilidade das organizações humanitárias. Num momento em que conflitos como o do Sudão geram necessidades sem precedentes de assistência internacional, cresce a exigência por maior transparência, fiscalização e proteção das populações que dependem dessa ajuda para sobreviver.
Para muitos observadores, o verdadeiro desafio não é apenas punir os responsáveis, mas garantir que a ajuda humanitária nunca se transforme numa oportunidade de exploração daqueles que já perderam quase tudo.






