A iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla de modernização ferroviária, considerada essencial para acompanhar o crescimento do comércio regional e das exportações minerais.
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A linha de Ressano Garcia é considerada um dos corredores logísticos mais importantes de Moçambique, ligando o Porto de Maputo ao mercado sul-africano e servindo como uma das principais rotas para o transporte de mercadorias na região austral de África.
Segundo o CFM, o empreiteiro responsável pela nova fase deverá ser anunciado em julho, permitindo o início das obras de expansão de uma infraestrutura considerada fundamental para o desenvolvimento económico nacional.
A primeira fase do projeto já produziu resultados significativos, aumentando a capacidade anual da linha de cerca de 13 milhões para 24 milhões de toneladas de carga.
Este crescimento demonstra a crescente importância do corredor de Maputo no comércio regional e reforça o papel da ferrovia como alternativa eficiente ao transporte rodoviário.
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Além do aumento da capacidade, o projeto procura responder à procura crescente associada ao setor mineiro, às exportações e ao fluxo comercial entre Moçambique e a África do Sul.
Com o aumento da produção mineral e da movimentação portuária, a pressão sobre as infraestruturas de transporte tem vindo a crescer nos últimos anos.
Contudo, o anúncio da duplicação também evidencia outro desafio estrutural: a vulnerabilidade das infraestruturas nacionais às alterações climáticas.
As cheias que afetaram o sul do país nos últimos meses provocaram a interrupção da circulação na linha do Limpopo durante cerca de três meses, gerando prejuízos estimados em 12 milhões de dólares e afetando aproximadamente 130 comboios.
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Para o CFM, a expansão da rede ferroviária deve caminhar lado a lado com investimentos em resiliência climática. O objetivo não passa apenas por aumentar a capacidade de transporte, mas também por garantir que as infraestruturas consigam resistir a fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais frequentes.
Esta preocupação ganha relevância num contexto em que os eventos climáticos têm causado danos recorrentes a estradas, pontes e linhas férreas em várias regiões do país.
Os dados mais recentes indicam que o transporte ferroviário está em recuperação. No primeiro trimestre de 2026, a rede nacional transportou cerca de 151 mil passageiros, um aumento de 95% face ao mesmo período do ano anterior.
O transporte de carga também registou crescimento, com 3,6 milhões de toneladas movimentadas entre janeiro e março, representando uma subida de quase 15%.
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Apesar dessa recuperação, o setor continua a enfrentar desafios financeiros. O CFM registou perdas de cerca de 47 milhões de dólares no primeiro trimestre devido à destruição de infraestruturas e à redução temporária do transporte de mercadorias provocada pelas cheias.
Estes números ilustram a necessidade de continuar a investir não apenas na expansão da rede, mas também na sua modernização e proteção.
Até 2030, o Governo prevê investir cerca de 14 mil milhões de meticais na duplicação de linhas férreas e na aquisição de locomotivas, vagões e carruagens.
O plano inclui a conclusão dos últimos 25 quilómetros da duplicação da linha de Ressano Garcia, a compra de mais de 30 carruagens para passageiros, 250 vagões para transporte mineral e pelo menos 15 novas locomotivas.







