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China acelera corrida da inteligência artificial e desafia liderança tecnológica dos Estados Unidos

Xi Jinping defende cooperação internacional no desenvolvimento da IA, enquanto Pequim reforça a sua indústria tecnológica e procura reduzir a distância para os modelos americanos mais avançados.

“O desenvolvimento da inteligência artificial não deve ser uma actuação individual de um único país, mas uma sinfonia de cooperação internacional”, afirmou Xi Jinping perante representantes da indústria tecnológica, investigadores e autoridades internacionais.

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O líder chinês apelou ainda aos países para evitarem transformar a segurança nacional numa ferramenta de bloqueio tecnológico, numa referência às restrições impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia sobre determinados equipamentos e tecnologias chinesas.

A disputa pela liderança da IA tornou-se um dos principais capítulos da rivalidade estratégica entre Washington e Pequim, envolvendo controlo de dados, capacidade computacional, semicondutores e inovação industrial.

China's Laws of Robotics: Shanghai publishes first humanoid robot  guidelines | South China Morning Post

A China tem investido fortemente na construção de um ecossistema nacional de inteligência artificial, desde a produção de componentes electrónicos até ao desenvolvimento de aplicações destinadas ao consumo diário.

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Empresas chinesas estão a lançar modelos capazes de competir com algumas das ferramentas mais avançadas desenvolvidas nos Estados Unidos, conquistando utilizadores devido ao preço mais reduzido e à possibilidade de adaptação para diferentes sectores.

Apesar dos progressos, especialistas consideram que os Estados Unidos continuam a manter uma vantagem significativa em áreas estratégicas, como os chips avançados, infraestruturas de computação e financiamento de grandes projectos de investigação.

Semicon China: AI, advanced packaging set to drive country's chip industry  growth | South China Morning Post

Segundo analistas, a World Artificial Intelligence Conference tornou-se um dos principais eventos para compreender a direcção da indústria chinesa de IA.

A edição deste ano reúne mais de 1 000 empresas tecnológicas, investigadores, responsáveis governamentais e representantes da indústria. Cerca de 3 000 produtos estão em exposição, incluindo sistemas de processamento avançado, dispositivos inteligentes e soluções autónomas.

Além da competição tecnológica, o debate centra-se igualmente nos riscos associados à inteligência artificial, incluindo a utilização militar, ataques informáticos e possíveis ameaças à segurança internacional.

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Durante a conferência, Xi Jinping defendeu a criação de regras internacionais, sistemas de monitorização tecnológica e mecanismos de resposta rápida para garantir que a inteligência artificial permaneça “sob controlo humano”.

O Presidente chinês apresentou uma visão de desenvolvimento baseada numa abordagem centrada nas pessoas, argumentando que a IA deve contribuir para o crescimento económico e para o progresso social, sem criar riscos fora de controlo.

Na véspera do evento, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, e representantes de 29 países, incluindo Rússia, Paquistão e Indonésia, assinaram um acordo para criar uma estrutura internacional de cooperação em inteligência artificial.

2024 World AI Conference on global governance opens in Shanghai

A nova World Artificial Intelligence Cooperation Organization, com sede em Shanghai, pretende promover a cooperação entre países e incentivar um desenvolvimento considerado “saudável e organizado” da tecnologia.

Entre os participantes da conferência estão figuras internacionais como o secretário-geral da ONU, António Guterres, além de líderes políticos e representantes de vários países asiáticos.

Ao mesmo tempo, empresas chinesas continuam a apresentar novos avanços. A startup Moonshot AI revelou o modelo Kimi K3, uma ferramenta que poderá rivalizar com algumas das soluções mais avançadas actualmente disponíveis no mercado americano.

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Outros destaques incluem o modelo M3, desenvolvido pela MiniMax, o primeiro smartphone produzido em larga escala equipado com um agente autónomo de inteligência artificial, e o sistema Atlas 950 Supernode, apresentado pela Huawei.

A próxima etapa da indústria passa agora pelo desenvolvimento de agentes de inteligência artificial, ferramentas capazes de conversar com utilizadores, gerir aplicações e executar tarefas complexas sem intervenção constante.

Para especialistas, a grande mudança será a passagem dos modelos experimentais para sistemas integrados capazes de funcionar em larga escala na vida quotidiana.

China Artificial Intelligence in 2026: Models, Tools & Enterprise Strategy  - ChoZan

A inteligência artificial tornou-se um dos pilares da estratégia industrial da China, com investimentos públicos destinados a criar uma cadeia tecnológica completa e independente.

Segundo dados oficiais, o consumo diário de “tokens”, a unidade utilizada para medir a utilização dos sistemas de IA, aumentou cerca de 1 000 vezes nos últimos dois anos no país.

O mercado chinês de inteligência artificial atingiu cerca de 1,2 biliões de yuans em 2025, aproximadamente 177 mil milhões de dólares, e deverá crescer mais de 30% este ano.

A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) indica igualmente que a China lidera mundialmente os pedidos de patentes de IA generativa, com mais de 43 000 registos entre 2024 e 2025.

A adopção internacional de modelos chineses também está a aumentar, com empresas estrangeiras interessadas em soluções de código aberto, custos reduzidos e maior capacidade de personalização.

A batalha pela inteligência artificial entra assim numa nova fase. Mais do que uma disputa tecnológica, a competição entre China e Estados Unidos representa uma luta pelo controlo de uma das tecnologias que poderá definir a economia, a segurança e o equilíbrio de poder mundial nas próximas décadas.