Durante uma cerimónia em Kyiv, por ocasião do Dia do Estado Ucraniano, Volodymyr Zelenskyy afirmou que a Ucrânia produz actualmente cerca de 10 milhões de drones por ano, com planos para duplicar essa capacidade.
Segundo o Presidente ucraniano, esta tecnologia alterou profundamente a forma como os conflitos são conduzidos, permitindo compensar limitações de efectivos militares e realizar ataques de longo alcance.
Os drones tornaram-se uma das principais ferramentas utilizadas pelas forças ucranianas contra posições russas, incluindo ataques contra infraestruturas energéticas e refinarias de petróleo.
Para a União Europeia, o objectivo passa por juntar a capacidade industrial dos seus 27 Estados-membros ao conhecimento operacional desenvolvido pela Ucrânia no campo de batalha.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
O financiamento do programa deverá utilizar dois mecanismos europeus: o empréstimo de apoio à Ucrânia no valor de 90 mil milhões de euros e os cerca de 10 mil milhões de euros ainda disponíveis no programa europeu de defesa SAFE.
No entanto, nem todos os recursos estarão imediatamente disponíveis para a produção conjunta.
Apenas uma parte inicial do financiamento foi libertada, incluindo uma transferência de mil milhões de euros realizada na quarta-feira.
Até agora, alguns países europeus já tinham estabelecido acordos individuais com a Ucrânia para beneficiar da sua experiência tecnológica.
O novo acordo pretende criar uma estrutura comum disponível para todos os membros da União Europeia.
Ursula von der Leyen destacou que a Europa possui uma forte base industrial e tecnológica, mas reconheceu que falta a experiência prática adquirida pela Ucrânia durante o conflito.
“Temos capacidades tecnológicas e industriais enormes na Europa, mas não temos o conhecimento testado no campo de batalha que a Ucrânia desenvolveu”, afirmou a Presidente da Comissão Europeia.
A estratégia prevê que os países europeus possam produzir e armazenar drones em diferentes locais dentro do território comunitário.
Esta possibilidade pretende proteger os equipamentos de eventuais ataques russos contra instalações localizadas na Ucrânia.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
Apesar da possibilidade de armazenamento dentro da União Europeia, os equipamentos não deverão permanecer durante longos períodos fora da zona de conflito.
A rápida evolução tecnológica dos drones faz com que os modelos possam tornar-se rapidamente ultrapassados.
Segundo o acordo, os equipamentos armazenados deverão ser transferidos para a Ucrânia ou para Estados-membros interessados em reforçar as suas capacidades militares, sobretudo os países situados no flanco leste europeu.
A iniciativa representa uma nova fase da cooperação entre Bruxelas e Kyiv no domínio da defesa.
A Comissão Europeia pretende, numa segunda fase, alargar esta parceria à produção de sistemas de mísseis balísticos e sistemas de defesa antimíssil.
No entanto, esse projecto ainda se encontra numa fase inicial e deverá exigir novos acordos políticos e industriais.
A decisão surge num período de aumento das preocupações europeias com a segurança regional e com as acções da Rússia junto das fronteiras da União.
“Agora é o momento de investir na Ucrânia, investir na Europa e investir na nossa segurança comum e no nosso futuro comum”, afirmou Ursula von der Leyen.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
Paralelamente ao acordo militar, os países da União Europeia decidiram prolongar o regime de protecção temporária concedido aos cidadãos ucranianos que fugiram da guerra até 4 de Março de 2028.
A nova decisão introduz, contudo, alterações importantes para homens ucranianos entre os 23 e os 60 anos, que deixam de estar abrangidos pelo regime a partir de Março de 2027 caso não tenham cumprido as suas obrigações militares na Ucrânia.
A medida responde a pedidos do Governo ucraniano, que procura reforçar as suas forças armadas num momento de continuidade do conflito.
Para obter protecção semelhante ao estatuto de refugiado na União Europeia, alguns cidadãos ucranianos terão de demonstrar que deixaram legalmente o país.
As autoridades poderão exigir documentos como passaportes com registo de saída ou comprovativos de isenção do serviço militar.
PUBLICIDADE
Anuncie aqui!
A legislação ucraniana impede actualmente que a maioria dos homens em idade militar abandone o país devido ao regime de mobilização.
Contudo, pessoas com incapacidade reconhecida, pais de três ou mais filhos menores e cidadãos responsáveis por familiares dependentes continuam abrangidos pelas excepções previstas.
Criado após a invasão russa em larga escala em 2022, o mecanismo de protecção temporária permitiu que milhões de ucranianos residissem legalmente nos países da União Europeia sem necessidade de solicitar asilo.
Segundo dados comunitários, cerca de 4,38 milhões de pessoas estavam protegidas ao abrigo deste regime em 31 de Maio de 2026.
O sistema garante acesso ao mercado de trabalho, cuidados de saúde, educação e residência temporária.
A decisão final deverá ser formalmente adoptada pelos países europeus nas próximas semanas, consolidando uma nova etapa da relação entre a União Europeia e a Ucrânia.






