Hernan Gil, segurança de 43 anos, foi retirado dos escombros na cidade de Catia La Mar, no estado de La Guaira, onde permanecia preso desde o devastador duplo sismo de 24 de junho.
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O homem encontrava-se soterrado na guarita de segurança do edifício de sete andares onde trabalhava. Após ser retirado numa maca, foi imediatamente transportado de ambulância para um hospital em Caracas, onde recebe tratamento médico.
O resgate emocionou familiares e equipas de socorro. A esposa da vítima, Gusbimar Gonzalez, classificou o momento como “um verdadeiro milagre“, tendo em conta que especialistas consideram extremamente reduzidas as hipóteses de sobrevivência após 72 horas debaixo dos escombros.
As operações envolveram equipas especializadas provenientes dos Estados Unidos, El Salvador, Costa Rica, Portugal, México, Chile e Venezuela, que trabalharam durante mais de três dias para abrir um túnel de aproximadamente três metros até ao local onde Hernan Gil permanecia preso.
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Durante todo o processo, os socorristas conseguiram fornecer água, oxigénio e apoio permanente através de sondas e tubos introduzidos entre os escombros.
Na fase final da operação, cerca de 30 elementos trabalharam ininterruptamente para remover uma última placa de betão, apesar do elevado risco de colapso de edifícios vizinhos.
O mais recente balanço divulgado pelas autoridades elevou para 2.595 mortos e cerca de 12.400 feridos o número oficial de vítimas da tragédia.
A Presidente interina, Delcy Rodríguez, garantiu que “ninguém será colocado em valas comuns“, assegurando que continuam as operações de identificação das vítimas e as buscas por possíveis sobreviventes.
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Embora o Governo evite divulgar números oficiais de desaparecidos, as Nações Unidas estimam que possam existir cerca de 50 mil pessoas cujo paradeiro continua desconhecido.
O Governo decretou sete dias de luto nacional, enquanto enfrenta críticas relacionadas com a alegada demora na resposta inicial à emergência.
Segundo Delcy Rodríguez, durante as primeiras 24 horas foram mobilizados 4.000 agentes, número que aumentou para 19.000 operacionais ao fim de 48 horas.
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Entretanto, o Presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, revelou que, no momento do sismo, encontravam-se cerca de 30 mil pessoas na região de La Guaira. Destas, 6.461 foram resgatadas pelas equipas de emergência e mais de 13 mil conseguiram escapar pelos próprios meios ou com ajuda de familiares e vizinhos.
A destruição provocada pelo duplo sismo deixou milhares de pessoas sem habitação. Muitos sobreviventes vivem atualmente em parques de estacionamento, campos desportivos e acampamentos improvisados, enquanto aguardam soluções permanentes.
Nas zonas mais afetadas, dezenas de edifícios exibem a letra “D”, utilizada internacionalmente nas operações de busca para indicar que foram encontrados mortos no interior, encerrando praticamente qualquer esperança de localizar novos sobreviventes nesses locais.
As redes sociais continuam repletas de fotografias de crianças, idosos e famílias desaparecidas, numa tentativa desesperada de obter informações sobre o paradeiro dos seus familiares.
Perante a dimensão da crise humanitária, o Programa Alimentar Mundial (PAM) lançou um apelo internacional de 50 milhões de dólares para garantir alimentação a cerca de 500 mil pessoas durante os próximos três meses.






